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sábado, 2 de outubro de 2010

Quem são os Profetas?

A Voz dos Profetas

            Os profetas falam a palavra de Deus. Diante das injustiças de seus tempos, os profetas, homens e mulheres, condenaram tudo aquilo que impedia que a justiça e a paz se abraçassem, impossibilitando que o projeto de Deus para sua criação pudesse se realizar. Podemos aqui recordar três profetas, de diferentes épocas. O primeiro, Amós, que viveu no século VIII aC, numa época em que Israel havia se dividido em dois Reinos, um ao Sul, Judá, e outro ao Norte, que conserva o nome de Israel. Amós era um pastor de Judá que exercia sua função profética no Reino do Norte. Em uma época de prosperidade e de muitas injustiças, Amós anunciava que Israel seria punido pelos seus pecados: sua prosperidade era abominável aos olhos de Deus, pois fora construída sobre a dominação e não sobre a fraternidade. Segundo o profeta, Deus despreza os holocaustos e sacrifícios oferecidos em Israel; o que Deus quer é que "o direito corra como água e a justiça como um rio caudaloso" (Am 5,21-27). Aqueles que estavam tranqüilos a comer e a beber sofreriam o exílio por não se preocuparem "com a ruína de José" (Am 6,1-7). Mas o profeta também anunciava que destruição não seria a última palavra de Iahweh. Um dia, a justiça e a fraternidade prevalecerão; Israel junto com toda a criação atingirá o seu destino (Am 9,11-15).

            O profeta que escreveu a segunda parte do livro de Isaías viveu na época do exílio da Babilônia (586-538). Este profeta, chamado de segundo Isaías, falava da grandeza de Deus que criou o céu e a terra e que estava prestes a libertar Israel, em um novo êxodo (Is 40-43,21). Apesar dos pecados antigos de Israel, que havia cansado Deus com suas iniqüidades (Is 43,22-28), Iahweh estava amorosamente disposto a recomeçar tudo de novo. A causa da ruína de Israel foi o abandono de Deus, que se evidenciou, sobretudo na transgressão da justiça de Iahweh (Is 50,1-3). A nova Jerusalém será edificada sobre a justiça e assim conhecerá a prosperidade (Is 54,11-55,13).

            O terceiro  Isaías, que viveu depois do exílio, no VI século AC, continuou a obra de seus antecessores. Apesar da experiência do novo êxodo, Israel estava longe de colocar em prática a experiência da justiça.  Isaías, falava em nome de Deus contra as práticas religiosas que não levam à prática da justiça. Assim falou Deus ao profeta:

"Por acaso não consiste nisto o jejum que escolhi: em romper os grilhões da iniqüidade, em soltar as ataduras do jugo e pôr em liberdade os oprimidos e despedaçar todo o jugo? Não consiste em repartires o teu pão com o faminto, em recolheres em tua casa os pobres desabrigados, em vestires aquele que vês nu e em não te esconderes daquele que é tua carne? Se fizeres isto, a tua luz romperá como a aurora, a cura das tuas feridas se operará rapidamente, a tua justiça irá à tua frente e a glória de Iahweh irá à tua retaguarda" (Is 58,5-8).

Pela boca do profeta, Iahweh promete levar a criação a seu destino último: a comunhão fraternal, um novo céu e uma nova terra, "onde o lobo e o cordeiro pastarão juntos e o leão comerá feno com o boi" (Is 65). Aqueles que reconhecem ser Iahweh o Senhor devem desde já buscar viver no aqui da história o sonho de Deus para toda sua criação (Is 66).

            Deve-se sublinhar que as vozes dos profetas que denunciam tudo o que é contrário ao plano de Deus reafirmam no povo a fé de que Iahweh no fim fará triunfar o Amor e a Verdade, a Justiça e a Paz sobre toda a criação. O Salmo 85 resume esta fé de Israel, proclamando que:

"Amor e Verdade se encontrarão, Justiça e Paz se abraçarão; da terra germinará a Verdade, e a Justiça se inclinará do céu. O próprio Iahweh dará a felicidade, e nossa terra dará seu fruto. A Justiça caminhará à sua frente, e com seus passos traçará um caminho".

Extraído do Texto-Base da Campanha da Fraternidade de 1996
Fraternidade e Política
Justiça e Paz se Abraçaram

O LIVRO DE JONAS

Bem, pensando em aprofundar o estudo em livros do Antigo Testamento, observemos atentamente o lovro de Jonas.
  
Para ter uma idéia sobre a época em que esse livro foi escrito, alguns aspectos devem ser considerados. Segundo os biblistas o livro de Jonas contém expressões em aramaico, idioma oficial dos judeus durante o domínio Persa (538-333 a.C.), mas que não era conhecido por eles antes do Exílio da Babilônia (587-538 a.C.). Portanto, devido aos estudos, o livro deve ser posterior ao século VI a.C. O profeta Jonas, filho de Amitai, é contemporâneo do reinado de Jeroboão II, que reinou em Israel no século VIII a.C. Afirmar que o livro de Jonas foi escrito por ele seria algo semelhante a dizer que um dos modernos escritores brasileiros teria vivido no tempo de Dom João VI. O hebraico sofreu modificações ao longo da história, como acontece a qualquer idioma.
 
Os judeus que retornaram do exílio, estavam convencidos de que haviam sofrido o exílio por causa da sua infidelidade a Deus. Como resultado, adotaram uma atitude de EXCLUSIVIDADE e rigorosa observância da Lei. Evitavam tudo que pudesse afastá-los de Deus, tal como costumes estrangeiros e até mulheres estrangeiras.
  • CONFRONTO ENTRE JONAS E O SENHO 
JONAS - 2Rs 14,25 - foi profeta no tempo de Jeroboão II (reinou em Israel - norte - 783-743 a.E.C.)
 
O autor usa um recurso literário chamado de pseudonímia. Ele não está interessado em destacar a autoria do livro, nem em focalizar sua identidade. Isso era muito comum naquela cultura. Os autores dos livros bíblicos geralmente não assinam suas obras porque acreditam que estão apenas representando a fé e a experiência de um povo do qual são membros, ou seja, eles não falam em nome próprio e com seus escritos querem apenas trazer os filhos de Israel de volta para a aliança firmada com Deus.
 
O autor do livro permanece anônimo e usa como pseudônimo o antigo profeta Jonas, filho de Amitai, porque esse recurso o ajuda a divulgar melhor sua mensagem. Não sabemos quem escreveu o livro de Jonas, mas podemos fazer um perfil de sua personalidade a partir do texto bíblico. É alguém com mente aberta, como diríamos hoje, para ele todas as pessoas são alvos do amor e da misericórdia de Deus. É uma pessoa bem humorada que usa o recurso da ironia para convencer os judeus nacionalistas de sua época da inconsistência da postura exclusivista que considerava apenas o judeu como merecedor do amor de Deus
 
1,1 - “a palavra do Senhor foi dirigida a Jonas, filho de Amanti”
 
O livro se inicia como muitos livros proféticos afirmando que ‘a palavra do Senhor foi dirigida a...” (Os 1,1; Jl 1,1; Mq 1,1; Sf 1,1; Ag 1,1; Zc 1,1). Com isso se estabelece um convite ao leitor para se identificar com o protagonista e se tornar um canal para que a palavra de Deus chegue a todos os povos. Lendo o livro atentamente se chega à conclusão de que Deus é o diretor do drama, ele está no controle de tudo, está determinado a fazer sua misericórdia chegar aos ninivitas.
 
1,2a - “levanta-te, vai a Nínive...”

NINIVE - Capital da Assíria - residência dos grandes reis, Senaquerib (722 - invadiu o reino de Israel) construiu um grande palácio e fortificou a cidade com um muro de 12 Km. Foi sitiada pelos Medos e Babilônios em 614 a.E.C. Os vencedores destruíram inteiramente a grande cidade; esse evento é celebrado pelo profeta Naum. Não podemos deixar de perceber a ironia contida aqui: o Jonas histórico (2Rs 14,25) profetiza a prosperidade e a expansão do Reino do Norte e o Jonas personagem do conto edificante tem que profetizar a favor dos habitantes da cidade de Nínive, destruidores de Samaria, capital do reino do Norte.
 
1,2b - “...anuncia contra ela que a sua maldade chegou até mim.”
 
A missão de Jonas é precisa: tem que anunciar aos habitantes da grande cidade de Nínive que sua iniquidade subiu até Deus. Isso consiste numa parusia conforme se procedia em antigos reinos. O termo grego parusia significava a visita do rei a uma região distante da sede do governo para resolver certos problemas administrativos como o abuso de autoridade dos governantes e a prática da iniquidade por parte destes. O aviso de que o rei está sabendo da iniquidade, dava tempo aos culpados para mudar de conduta como também deixava os oprimidos cheios de esperança que o rei lhes fizesse justiça. Nesse sentido, o que Jonas deve anunciar é a parusia do verdadeiro rei do universo sobre um vassalo, o rei de Nínive. De nenhuma forma se trata de um veredicto definitivo do juiz, mas de um viso para que haja oportunidade de mudança de atitude por parte dos que estão praticando o erro. Não é uma condenação, mas uma boa-notícia o que Jonas deve anunciar.
 
1,3a - “Jonas levantou-se para fugir para Tarsis, para longe da face do Sr.”
 
O autor monta sua história em oposição à atitude de exclusividade. Deus chama Jonas para profetizar, não a seu povo, mas ao de Nínive. Jonas reluta em ir a Ninive, não tanto porque deseja evitar a vocação profética, mas porque está sem vontade de levar a palavra do Senhor a um inimigo tão odiado. Ver Ez 3,6-7
 
TARSIS - nome de lugar que significa refinaria, onde o metal é fundido e refinado. Um navio de Tarsis, significou por muito tempo um navio construído para enfrentar tempestades, capaz de fazer as longas viagens, construído para transportar cargas pesadas de metais. Para os judeus, ir para Tarsis, significava ir para um lugar bem longe, fim do mundo, o lugar mais longe possível.
 
1,3b - “Ele desceu a Jope.”
 
JOPE - Cidade próxima à Jerusalém. Possuía o porto mais próximo de Jerusalém, porém não era um porto verdadeiro, não podia ser usado sob mal tempo.
 
1,5 - “os marinheiros tiveram medo... começaram a gritar cada qual para o seu deus.”
 
os marinheiros são de várias nacionalidades; cada qual tem seu deus, mas crêem no poder dos outros deuses também.
 
1, 6 - “...Como podes dormir? Levanta-te, invoca o teu Deus!...”
 
Jonas é, de todos os personagens desse livro, o que mais precisa de conversão. Ele pode ser definido como o desobediente. Aos três imperativos da missão (levanta-te, vai, anuncia) Jonas age em sentido contrário: desce, foge, dorme.
 
1,7 - “... eles lançaram as sortes e a sorte, caiu sobre Jonas.”

Era um costume antigo a idéia de que a presença de culpado em navio é perigo para todos.
 
1,8 - “ conta-nos qual é tua missão...”
 
Eles queriam saber qual a finalidade da viagem de Jonas para entender a causa daquele mal.
 
1,9 - “...sou hebreu e venero ao Sr., o Deus do céu que fez o mar e a terra.”
 
Se Jonas crê nisso, porque pensa que Tarsis é longe o suficiente para fugir do Senhor? A fé no Deus criador traz como consequência o reconhecimento de seu amor por todos os povos. Dessa maneira, Jonas afirmou que a autoridade de seu Deus não está limitada a um território determinado, mas tinha domínio universal. Com isso se vê a ironia da situação de Jonas: crer que Deus domina sobre o mar e a terra e, ao mesmo tempo, está fugindo de sua presença.
 
1,10 - “...os homens foram tomados por grande temor...”
 
Eles são sábios o bastante para ficar com medo, enquanto Jonas, que auto proclamou temente a Deus, parece não ter temor algum. Os marinheiros, pagãos, se escandalizam com a rebelião de Jonas ao Senhor.
 
11,15 - “E tomaram Jonas e o lançaram ao mar e o mar cessou o seu furor.”
 
O Senhor envia o vento para que provoque uma grande tempestade, pára a tempestade assim que a fuga de Jonas é interrompida.
 
1,16 - “Os homens foram então tomados por um grande temos para com o Senhor, ofereceram ao Senhor e fizeram votos”

Mostra a retidão dos marinheiros pagãos que reconhecem o poder de Deus e rendem culto a Ele. No capitulo 1, imagem do Senhor é a imagem do Criador todo-poderoso que dá uma missão ao profeta e o persegue até que a aceite.
  • A ORAÇÃO DE JONAS
2,1a - “O Senhor determinou que surgisse um peixe grande para engolir Jonas...”
 
Jonas representa o próprio judaísmo da época marcada por reformas radicais nacionalistas desde Esdras e Neemias, basta conferir os capítulos nove e dez do livro de Esdras e a ordem para que os judeus se divorciassem das esposas estrangeiras e expulsassem os filhos nascidos desses casamentos mistos. Veja também Ne 13,23–28. O grande peixe representa os grandes dominadores do povo judeu, que “engoliam” as tradições, os costumes, o próprio judaísmo.
 
2,1b - “... Jonas permaneceu nas entranhas do peixe três dias e três noites.”
  
O tempo, 3+3 = 6, representa os grandes impérios que dominaram os Judeus até este período: Egito (2030 a 1200 a.E.C.) , Hicsos (1720 a1552 a.E.C.), Hititas (1370-1336 a.E.C), Assíria (722 a.E.C.), Babilônia (587 a 537 a.E.C.), Pérsia (538 a 333 a.E.C).
 
Deus permitiu que fossem dominados, mas deu a chance de novo recomeço.
 
 2,2 - “Então Jonas orou ao Senhor, seu Deus, das entranhas do peixe.”
 
 A oração consiste em um salmo provavelmente de outra fonte pondo-a na boca de Jonas enquanto ele volta no ventre do peixe. É uma oração de Lamentação.
 
2,3-10
 
O salmista começa por clamar a Deus e passa imediatamente a uma descrição de sua angústia. O fim da oração é uma expressão de confiança e ação de graças a Deus pelo salmista, que com confiança inabalável, acredita na salvação divina.
 
Muitas frases desta oração são comuns aos salmos, por exemplo:
 
2,3a - Sl 86,6-7; 120,1; 34,7; 81,8
 
2,3b - Sl 18,6-7; 116,3-4
 
2,4b - Sl 42,8
 
2,5a - Sl 31,23
 
2,6a - Sl 18,5; 69,2-3; 88,17-18; 116,3
 
2,7b - Sl 16,10; 30,4
 
2,8a - Sl 42,7
 
2,8b - Sl 18-7; 88,3
 
2,10a - Sl 50,14; 116,17
 
2,10,b - Sl 22,26; 50,15; 66,13-14; 116,14.18; 3,9; 37,39.
 
 O salmo presta-se bem à situação de Jonas. Ele está em dificuldades lamentáveis e precisa voltar-se ao Senhor com confiança. As referencias à Morte (v 3.7), entretanto, indicam que o salmo descreve angustias gerais.
  • JONAS EM NINIVE
O Cap 3 começa com o segundo chamado do Senhor a Jonas. Desta vez ele não faz nenhuma objeção.
 
 3,3b - “Nínive era uma cidade muito grande, de três dias de marcha.”
 
A descrição de Nínive como ‘uma cidade muito grande’, sendo preciso três dias para atravessá-la, mostra o exagero que é presente em todo livro. A quantidade de dias tem um equilíbrio significativo. Jonas passa três dias no ventre do peixe e depois é devolvido a sua responsabilidade para com o Senhor. Entretanto, três dias não bastam para provocar um verdadeiro arrependimento em Jonas. Porém a cidade não precisa nem de três dias para seu arrependimento; um dia basta. Contudo, a misericórdia do Senhor não restringe Nínive a três dias. O Senhor dá ’40 dias’, um número bem grande de dias, antes que a cidade seja destruída.
 
3,4a - “Jonas entrou na cidade e percorreu durante um dia. Pregou então dizendo:...”
 
Jonas, mesmo quando parece ser obediente não o é de fato, pois anuncia a mensagem em apenas um dia, quando se levaria três dias para atravessar a cidade e proclama um conteúdo diferente daquele que lhe foi indicado. Com um dia de marcha, não foi possível chegar até o centro da cidade, onde era também o centro administrativo.
 
3,4b - ... Ainda quarenta dias e Nínive será destruída!”
 
É isto que o missionário anuncia apesar de não haver, em nenhuma parte do livro de Jonas, uma palavra vinda de Deus para condenar Nínive. Por que o missionário diria isso se a palavra de Deus foi outra (Jn 1,2)? Ora, segundo a ideologia da retribuição, se Deus sabia da iniquidade de Nínive deduzia-se que ele a destruiria como castigo pelos pecados. Jonas anunciou uma consequência lógica de suas concepções teológicas. Proclama um conteúdo diferente daquele que lhe foi indicado. Por esse motivo o livro de Jonas chama à conversão, não apenas os ouvintes, mas primeiramente o missionário.
 
3,5a - “ Os homens de nínive creram em Deus...”
 
Jonas é, de todos os personagens desse livro, o que mais precisa de conversão. Ele pode ser definido como o desobediente.
 
Apesar de tudo os ninivitas creram em Deus, depositaram toda a sua confiança em Deus, mesmo tendo recebido uma mensagem de condenação. O que não fariam então, se tivessem recebido a boa-nova? Também os marinheiros estrangeiros adoraram o Deus de Israel (Jn 1,14-17), apesar de Jonas ter preferido ser lançado ao mar que falar-lhes sobre a misericórdia do Senhor. O grande problema do livro de Jonas, a maior dificuldade é a conversão do missionário e não a dos injustos e dos idólatras.
 
A reação do rei de Nínive foi muito distinta do procedimento dos reis de Israel que poucas vezes consideraram a exortação dos profetas. Assim como os marinheiros, o rei confiou na misericórdia de Deus, mesmo sem que Jonas a mencionasse em nenhum momento. E Jonas sabia que Deus é misericordioso, isso faz parte da fé de Israel (Ex 34,6).
 
3,5b - “...convocaram um jejum e vestiram-se de panos de saco”.
 
Esses gestos externos eram expressões de uma mudança radical de atitude. Cada um deveria deixar o seu mau caminho, ou seja, o estilo de vida caracterizado pelo pecado e pela violência. Esse costume era empregado em momentos de tristeza (2Sm 3,31; Jr 6,26), de luto (Est 4,1-3), de arrependimento (Ne 9,1; Jó 42,6) e de humilhação (Dn 9,3-5).
 
 3,6 - “A notícia chegou ao rei de Ninive.”
 
 A conversão dos ninivitas começou com o povo e depois chegou ao rei.
 
3,7 - “...como decreto do rei e de seus grandes: ‘Homens e animais, gado graúdo e miúdo’...”
 
O rei expediu um decreto de penitência geral, incluindo também os animais para mostrar que a criação inteira é afetada pelos nossos pecados. Para demonstrar seu arrependimento sincero os ninivitas se uniram, desde os da mais alta classe social até os mais humildes, na busca da misericórdia de Deus.
 
 3,10 - “ eles se converteram de seu caminho perverso...”
 
Consiste em deixar um estilo de vida fundado na iniquidade por uma vida nova com perspectivas totalmente diferentes.
  •  DESGOSTO DO PROFETA E RESPOSTA DIVINA
 4,1 - “mas isso trouxe a Jonas um grande desgosto e ele ficou irado.”
 
Mas a resposta de Deus à conversão dos ninivitas desagradou totalmente a Jonas, deixando-o profundamente irritado. Isto o fez revelar o objetivo da tentativa de fuga; não fora por medo da violência dos ninivitas nem por receio do desconhecido, como poderíamos supor.
 
 4,2 - “...fugi apressadamente para Tarsis; pois sabia que tu és um Deus de piedade e ternura, lento para a ira, e rico em amor e que se arrepende do mal.”
 
 Para surpresa do leitor, Jonas diz que fugiu porque Deus é misericordioso... Jonas não queria ser mensageiro de Deus porque assim evitaria que os ninivitas usufruíssem da misericórdia divina.
 
4,3 - “ é melhor para mim a morte do que a vida.”
 
O autor do livro de Jonas empresta sua voz à teologia universalista para defender o direito de Deus amar a todos, sem fazer acepção de pessoa. Para criticar a tendência nacionalista o autor faz o personagem Jonas preferir morrer a aceitar o amor de Deus para com os estrangeiros, a ver a salvação daqueles que considerava ímpios. Na linguagem de hoje diríamos que o livro de Jonas foi escrito para animar os judeus a assumirem sua responsabilidade missionária para com as outras nações, nesse sentido, esse escrito é um precursor do mandato missionário do evangelho.
 
4,4-10
 
Deus é misericordioso porque sabe quem é Jonas. Em vez de castigá-lo por sua fuga, sua profecia desanimada, sua falta de misericórdia, Deus lida com Jonas como se ele fosse uma criança que não sabe “sequer distinguir a mão direita da esquerda”. Dá uma lição a Jonas. Ele prepara um peixe (2,1), uma mamoneira (4,6), um verme (4,7), um vento oriental (4,8). E Jonas não consegue mudar o roteiro ou projeto divino. Os estrangeiros, tanto os marinheiros quanto os ninivitas, foram mais religiosos, e até o mar, o peixe, a planta, o verme, o vento oriental, todos submetem-se à vontade de Deus.
 
4,11 - “E eu não terei pena de Nínive?...”
 
A misericórdia de Deus está sobre todos os povos e sobre toda criatura. Se a maioria das pessoas não sabe disso é porque falta quem lhes anuncie essa boa-notícia. O Senhor do céu e da terra ama a totalidade da criação. Essa é uma afirmação revolucionária para a maioria dos judeus contemporâneos do autor do livro de Jonas, pois se o Deus de Israel cuida de todos os seres, povos e nações, qual o lugar de Israel como povo da aliança? Hoje diríamos: qual o privilégio de ser cristão, se Deus ama os ateus, os membros de outras religiões e até mesmo aqueles que maculam sua imagem com o ódio? Isso significa que o povo de Deus deve investir na salvação dos injustos e não na destruição deles. Os opressores, os violentos, os ímpios conhecerão a misericórdia e a redenção que vem de Deus através dos missionários de boas notícias.
 
Deus começa e termina o livro, a sua palavra é soberana e não volta a ele sem que se torne efetiva e produza o fruto almejado (Is 55,11).
 
O final do livro mostra o contraste entre Jonas e Deus: um deseja a morte, o outro, a vida; um quer a destruição, o outro, a salvação. O livro inteiro é uma exortação à conversão e à misericórdia, ambas são indesejáveis a Jonas e ele necessita das duas. O livro desafia o cristão atual, herdeiro da vocação de Israel, a deixar-se corrigir pela Palavra inspirada, santa e perfeita, útil para exortar e para “discernir os propósitos do coração” (Hb 4,12).
 
O livro termina bruscamente como é próprio desse gênero literário. Com isso permite ao leitor de cada geração fazer uma autocrítica e responder à pergunta do Senhor, confrontando-se com as atitudes de Jonas, dos marinheiros e dos ninivitas. Quem nunca desejou o desaparecimento definitivo do opressor ou do malvado? Quem se sente confortável em saber que “a misericórdia triunfa sobre o julgamento” (Tg 2,13)? O amor e a misericórdia de Deus se estendem a cada pessoa e deseja a conversão de todos.
 
Fica para nós leitores a pergunta que o autor nos faz para pensarmos: Deus é livre? Ou deve agir, como Jonas pensa, segundo as estreitas limitações da justiça humana?
 
Eliani Araújo Costa / setembro 2010
 
 Para contatos e dúvidas:
elianidentista@yahoo.com.br / elianicatequista@yahoo.com.br
 
  BIOGRAFIA CONSULTADA
 
 Bíblia de Jerusalém. São Paulo, Paulus, 2004.
 Dicionário bíblico / John L. Mackenzie ; (tradução Álvaro Cunha ... et al.; revisão geral Honório Dalbosco). – São Paulo : Paulus, 1983.
 Comentário Bíblico. São Paulo, Edições Loiola, 1999
 Artigo da CNBB - Mês da Bíblia 2010 - Jonas: Conversão e Missão - “Levanta-te e vai à grande cidade” (Jn 1,2) - Aila Luzia Pinheiro de Andrade
 

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O Livro do Apocalipse

Último livro de Bíblia, escrito cerca do ano 95 d.C., durante a perseguição aos cristãos, promovida pelo imperador Domiciano. Foi escrito por São João que, exilado na ilha de Patmos, teve, num domingo (Ap 1,9-10), extraordinárias visões simbólicas, que lhe deram a certeza de que Deus daria a vitória final a quantos se mantivessem fiéis a Jesus Cristo, vitória anunciada para breve (Ap 22,7-20). A uma primeira visão do Ressuscitado, seguem-se sete cartas a outras tantas Igrejas da Ásia Menor. O corpo maior do livro é preenchido por revelações sobre o sentido da história, em momento particularmente difícil para a Igreja dos primórdios (destruição de Jerusalém, decadência do Império Romano, primeiras heresias…), o que sugeria “o fim dos tempos”.

O livro do Apocalipse de São João (para católicos e ortodoxos) ou Apocalipse de João (para protestantes) ou (Revelação a João) é um livro da Bíblia — o livro sagrado do cristianismo — e o último da seleção do Cânon bíblico. A palavra significa, em grego, "Revelação". Um "apocalipse", na terminologia do judaísmo e do cristianismo, é a revelação divina de coisas que até então permaneciam secretas a um profeta escolhido por Deus. Por extensão, passou-se a designar de "apocalipse" aos relatos escritos dessas revelações.

Para os cristãos, o livro possuiria a pré-visão dos últimos acontecimentos antes, durante e após o retorno do Messias cristão. Alguns Protestantes e Católicos mencionam que os acontecimentos previstos no livro já teriam começado. Devido ao fato de que, na maioria das bíblias em língua portuguesa, se usar o título Apocalipse, e não Revelação, até o significado da palavra ficou obscuro e é às vezes usado como sinônimo (errôneo) de "fim do mundo".

- Autoria

Exegetas católicos e protestantes atribuem a sua autoria a João, o mesmo autor do Evangelho Segundo João, conforme o descrito no próprio livro: Eu, João, irmão vosso e companheiro convosco na aflição, no reino, e na perseverança em Jesus, estava na ilha chamada Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus. Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, que dizia: O que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodicéia. (Apocalipse 1:9–11)

- Conteúdo do Texto

O imperador romano Domiciano (81- 96 d.C.) moveu forte perseguição aos cristãos, tendo deportado S. João, que era o bispo de Éfeso para a ilha de Patmos . Ao mesmo tempo os cristãos eram hostilizados pelo judeus e aguardavam a volta de Cristo, que não acontecia, para livrá-los de todos os males. Foi neste contexto que o Apóstolo escreveu o Apocalipse para confortar e animar os cristãos das já inúmeras comunidades da Ásia Menor. Apocalipse, em grego ´apokálypsis´(= revelação), era um gênero literário que se tornou usual entre os judeus após o exílio da Babilônia (587-535 a.C.), e descreve os fins dos tempos onde Deus vai julgar os homens. Essa intervenção de Deus abala a natureza (fenômenos cósmicos), com muita simbologia e números. A mensagem principal do livro é que Deus é o Senhor da História dos homens, e no final haverá a vitória dos justos. Mostra a vida da Igreja na terra como uma contínua luta entre Cristo e Satanás, mas que no final haverá o triunfo definitivo do Reino de Cristo, triunfo que implica na ressurreição dos mortos e renovação da natureza material.

As calamidades que são apresentadas não devem ser interpretadas ao pé da letra. Deus sabe e saberá tirar de todos os sofrimentos da humanidade a vitória final do Bem sobre o Mal.

Infelizmente há muitos que querem interpretar a Bíblia “a seu modo”, mesmo sem conhecer os gêneros literários, as línguas antigas, a história antiga, etc, e isto tem levado multidões a caminhar longe da verdade de Deus. Até “tarô bíblico” já se apresenta na TV; isto é, interpreta-se a Bíblia com o auxílio das cartas esotéricas do tarô ... Por tudo isso, e para que não acontecesse essas aberrações, e a Bíblia não ficasse sujeita à interpretação subjetiva de muitos, foi que Jesus deixou Pedro e os Apóstolos, hoje o Papa e os Bispos, sucessores dos Apóstolos, para interpretarem sem erro o que foi revelado sem erro. É o que chamamos de Magistério da Igreja.

O Apocalipse foi escrito sob a forma de uma carta escrita às Igrejas da Ásia menor, que viviam tempos difíceis de perseguição romana. É um livro bastante enigmático e difícil de ser entendido, e que pode gerar muitos erros de interpretação como já ocorreu muitas vezes na história da Igreja se não observarmos com cuidado como a Igreja o interpreta. O Apocalípse não pretende dar uma descrição antecipada dos acontecimentos do futuro, mas de apresentar uma mesma realidade sob vários símbolos diferentes; e tudo é feito com uma linguagem intencionalmente figurada para despertar a atenção do leitor, que estava acostumado ao gênero apocalíptico usado pelos judeus.

Alguns símbolos tem significado preciso: o Cordeiro simboliza o Cristo; a mulher, a Igreja ou a Virgem Maria; o dragão, as forças hostis ao reino de Deus; as duas feras (cap.13), o império romano e o culto imperial; a fera (cap.17), simboliza Nero; Babilônia, a Roma pagã; as vestes brancas, a vitória; o número três e meio, coisa nefasta ou caduca. Mas esses símbolos não são exclusivos; o Cristo é, às vezes representado como “filho do homem”ou cavaleiro. O Apocalípse é uma revelação sobrenatural, velada, sob símbolos, representando tanto o passado, quanto o presente da Igreja, e também o futuro. Se refere a um período indefinido que separa a Ascensão de Cristo de sua volta gloriosa. Deixa claro da impossibilidade de escapar à luta e ao sofrimento, às perseguições e ao fracasso aparente no plano terrestre, à realidade da salvação que lhe será concedida no meio de suas obrigações, e à vitória final, que é obra de Cristo ressuscitado que venceu o pecado e a morte.

A mensagem principal do livro é que Deus é o Senhor da História dos homens, e no final haverá a vitória dos justos, em que pese o sofrimento e a morte. Mostra a vida da Igreja na terra como uma contínua luta entre Cristo e Satanás, mas que no final haverá o triunfo definitivo do Reino de Cristo, triunfo que implica na ressurreição dos mortos e renovação da natureza material. As calamidades que são apresentadas não devem ser interpretadas ao pé da letra. Deus sabe e saberá tirar de todos os sofrimentos da humanidade a vitória final do Bem sobre o Mal.

- O número da Besta 666 (Ap 13, 18)

Aproveitando do simbolismo dos números dos antigos, S. João designou o perseguidor dos cristãos (figurado como uma besta) dizendo que o nome desse homem (NERO) tem o valor numérico de 666. Ele foi o primeiro imperador romano a perseguir a Igreja desde o ano 64dC. E sua perseguição foi bárbara e cruel. Para os antigos as letras tinham valor numérico, como por exemplo no alfabeto romano (I=1; II=2; V=5; C=100; D=500; M=1000; ...), e a soma dos números correspondentes a cada letra de um nome dava o valor numérico desse nome. Qual é, então, para o autor sagrado do Apocalipse, o nome cujas letras somadas dão o total de 666? Note-se que não se deve procurar tal nome entre os latinos ou na história posterior a São João, uma vez que os leitores do Apocalipse estavam na Ásia Menor, e alí se falava o grego e não o latim; e só conheciam os acontecimentos do seu passado e do seu presente. É para esses leitores que S. João queria transmitir uma mensagem, na forma que pudessem compreender.

OBS.: A mensagem do Apocalipse é perene, vale para o passado e para o futuro também. O 666 foi identificado pelos especialistas como sendo a decodificação de Cesar Nero, primeiro perseguidor dos Cristãos, a partir de 64. Mas pode representar o anti-Cristo de todas as épocas, todos que perseguiram e perseguirão os cristãos. Sobre a marca na mão direita e na testa, é sem dúvida um boicote aos cristãos, por parte do anti-Cristo de todas as épocas. Se isto vai se confirmar com o uso dos chips de mão ou coisas semelhantes, só esperando para ver. A Igreja nada afirma sobre esta questão.


REVELAÇÃO de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo; O qual testificou da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, e de tudo o que tem visto. Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.

quarta-feira, 12 de março de 2008

A Diferença entre a Bíblia Católica da Protestante

DIFERENÇA ENTRE AS BÍBLIAS CATÓLICA E “PROTESTANTE”

A Bíblia Protestante não possui estes 7 livros do Antigo Testamento: Judite, Tobias, Sabedoria, Eclesiástico(ou Siracides), Baruc, 1 Macabeus e 2 Macabeus. Além de alguns fragmentos de Daniel e Ester.

Quando os primeiros cristãos resolveram juntar o Antigo Testamento com os textos que começavam a ser escritos sobre a vida de Jesus e da Igreja (Novo Testamento) para formar a Bíblia, os judeus se colocaram contra e resolveram criar critérios que diferenciassem os textos sagrados antigos dos novos escritos que surgiam. Estas foram as regras definidas:

· O livro não poderia ter sido escrito fora da Terra de Israel;
· Somente em língua hebraica;
· Não depois de Esdras (458-428 a.C);
· Não em contradição com a lei de Moisés.

Assim, os judeus da Palestina fecharam o cânon (lista dos textos Sagrados) sem reconhecer livros e escritos que não obedeciam a tais critérios.

Acontece, porém, que em Alexandria, no Egito, havia uma próspera colônia judaica que, vivendo em terra estrangeira e falando língua estrangeira (o grego), não adotou os critérios nacionalistas estipulados pelos judeus de Israel. Os judeus de Alexandria chegaram a traduzir os livros sagrados hebraicos para o grego entre 250 e 100 a.C., dando assim origem à versão grega dita "Alexandrina" ou "dos setenta intérpretes". Esta tradução possuía os livros que faltam na Bíblia Protestante, pois estes ao se separarem da Igreja Católica, adotaram o cânon dos judeus de Israel como verdadeiro. No entanto, os apóstolos e evangelistas, ao escreverem o Novo Testamento em grego, citavam o Antigo Testamento, usando a tradução grega de Alexandria, mesmo quando esta diferia do texto hebraico (ver Mt 1,23 quando cita Is 7,14; e Hb 10,5 (cita Sl 40,6). Esta tornou-se a forma comum entre os cristãos; em conseqüência, o cânon amplo, incluindo os sete livros já citados, passou para o uso dos cristãos.

O Antigo testamento é citado 350 vezes por Jesus e os apóstolos, sendo que 300 citações são encontradas somente na tradução Alexandrina. Ou seja, os protestantes ao se separarem da igreja fundada por Cristo, recusaram justamente os livros usados por Ele e seus apóstolos em suas pregações. É bom recordarmos as palavras de S. João, no fim do Apocalipse: "Se alguém corta qualquer das palavras do livro desta profecia, Deus lhe cortará sua parte do livro da vida e da cidade santa, e do que está escrito neste livro” (Ap 22, 19).

A maior diferença entre a Bíblia dos católicos e a Bíblia dos protestantes não está no texto bíblico, mas nas diferentes interpretações que existem. A interpretação dos católicos é uma só, no mundo inteiro, porque nós seguimos o Magistério, que é a palavra oficial da Igreja. Ao passo que os protestantes divergem entre si, porque adotaram o “livre exame”.
A paz!

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Jovens catequistas

É bom ver tantos jovens catequistas querendo saber mais do que já sabem. É bom perceber que estão partindo para o estudo da fé e assumindo a missão de ensiná-la aos seus companheiros de idade.
  1. Jovens transmitindo o Evangelho aos outros jovensSe quiserem assumir o ministério da catequese para instruir seus colegas na fé, podem ter certeza que sofrerão pressões de todos os cantos. Se o fizerem por amor à Igreja e com desprendimento, chegarão à idade adulta com a paz de quem pensou o tempo todo em Jesus e na Igreja católica como um todo, mais do que em si mesmo ou no seu movimento. Catequista vai além do seu grupo e do seu movimento de Igreja. Não repercute apenas as ideias do seu grupo. Repercute as ideias da Igreja. Dele se espera mais cultura e mais abrangência.
  2. Alguém repercutiu para vocêsAlguém repercutiu para vocês (catechein quer dizer mais ou menos isso: repercutir) e vocês agora querem repercutir para outros que Jesus esteve aqui, foi para o Pai, mas continua conosco, se quisermos. E, o que é importante: de reconciliados estão se tornando reconciliadores. Não há catequese sem penitência e sem perdão.Vocês vieram aqui (e se tornaram catequistas), provavelmente, porque ouviram o grito do Papa João Paulo II: "Avancem para as águas mais profundas". O Papa está pedindo mais profundidade na Igreja. Talvez porque esteja vendo que em toda a parte há pessoas brincando de ser catequistas, sem nunca ter lido os documentos da Igreja, como Catequese Tradendae, Sacrossantum Concilium, Catequese com adultos, e alguns até sem terem lido o Catecismo da Igreja Católica - e há catequistas que nem sequer leram a Bíblia!
  3. Ser um instrumento ajustado e afinadoMuitos têm boa vontade, mas lhes falta entender o que fazem. Muitos fazem porque todo o mundo está fazendo. O Papa quer jovens e gente mais culta e mais profunda para dar catequese. Especialmente, os jovens que são tão curiosos e querem saber tanta coisa. Pois que saibam e conheçam melhor a sua Igreja. Catequista vive da boca que anuncia, mas antes precisa viver dos olhos que lêem e aprendem.Esses jovens devem mostrar a verdadeira face da Igreja.

Texto baseado no artigo "Catequistas que vão a fundo"do Pe. Zezinho

Fonte: http://www.catequisar.com.br/