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sexta-feira, 21 de março de 2008

Feliz Páscoa!!!

Tempo da Quaresma


PÁSCOA ANTIGA – (Ex 3,7-15)


Em busca de terras mais férteis e querendo melhorar de vida, os 12 filhos de Jacó e suas famílias, Povo de Israel, foram parar no Egito. No começo tudo corria bem, mas aos poucos, o Povo de Israel virou escravo nas mãos dos faraós do Egito. Sem liberdade, o povo foi também perdendo a consciência da opressão em que vivia esquecendo suas raízes assumindo a mentalidade e a idolatria dos opressores.

Depois de quase 300 anos de opressão, no meio do povo surgiu um líder, seu nome, “Moisés”, Deus revela-se a Moisés como “Javé", nome que quer dizer “ele é”, isto é “Deus quer ser presença libertadora no meio do povo” Moisés sentiu-se chamado por Javé a colaborar na libertação de seu povo. Depois de um longo trabalho para unir e conscientizar o povo, depois de muita luta e sobretudo, com muita ajuda de Deus, Moisés conseguiu fazer o povo sair do Egito foi a “Páscoa (passagem) de libertação”!

Durante a caminhada pelo deserto (40 anos), aos pés do Monte Sinai, aquele povo fez, com Deus uma solene Aliança (pacto), comprometendo-se a viver como verdadeiro Povo de Deus e a seguir os 10 Mandamentos (decálogo Constituição do povo de Deus). A Páscoa de Libertação e a Aliança foram os fatos que, mais profundamente, marcaram o Povo de Israel e toda a sua história. Anualmente o Povo de Deus celebrava a Páscoa, com uma refeição sagrada, durante a qual se comia um cordeiro, símbolo da Aliança e da Libertação.

QUARESMA – (Mc 1, 12-13)

A quarta-feira de Cinzas marca o início da quaresma, tempo de preparação para celebrar, na aurora da ressurreição do Senhor, a vitória da vida sobre a morte. O período quaresmal lembra os 40 dias que Jesus passou no deserto, preparando-se para sua missão, e os 40 anos em que o povo de Israel andou no deserto rumo a terra prometida. “Do hebreu Peseach, Páscoa significa a passagem da escravidão para a liberdade. É a maior festa do cristianismo e, naturalmente, de todos os cristãos, pois nela se comemora a Passagem de Cristo - "deste mundo para o Pai", da "morte para a vida", das trevas para a luz".

A Páscoa é repleta de símbolos importantes para todos nós. Mesmo nos mais diferentes países e culturas, muitos elementos estão sempre presentes nos rituais há centenas de anos. O mais antigo símbolo da Páscoa é a cor branca, que simboliza a pureza, a paz, vitória, ressurreição e alegria. A cerimônia da imposição das cinza remonta o século X e recorda o tempo em que os penitentes públicos, usavam sacos e cobria a cabeça com cinzas, como sinal de arrependimento de seus pecados e do desejo de mudar de vida. Receber as cinzas na fronte significa manifestar publicamente, a disposição de iniciar um caminho de fé e conversão rumo a Páscoa.

É tempo de penitência, de dar coisas materiais, tempo de amar e perdoar. Todas essas atitudes devem ser vividas em clima de oração e de escuta da Palavra. A Quaresma é tempo de pedir perdão, fazer reconciliação para celebrar e viver a ressurreição do Senhor Jesus. Logo, é tempo de jejum, abstinência e oração. Esse tempo termina no Domingo de Ramos.

A Quaresma é o período de 40 dias entre a Quarta-feira de cinzas – logo após o Carnaval - e a Semana Santa (que se inicia com o Domingo de Ramos). Durante a Quaresma, a Igreja e todos os cristãos preparam-se para a Páscoa. A Páscoa possui três interpretações: é a antiga festa de pastores para comemorar a primavera; é a festa dos Hebreus, para relembrar sua saída do Egito, no tempo de Moisés; é a festa anual dos Cristãos para celebrar a Ressurreição de Cristo.

DOMINGO DE RAMOS – (Jo 12,12-19)

Jesus montado num jumento coberto de mantos, vai a Jerusalém, onde comemora a Páscoa. Pelo caminho o povo espalhava suas capas pelo chão para Jesus passar e o aclamavam com ramos de oliveiras nas mãos. Ao começarem a descer do Monte das Oliveiras, uma multidão de discípulos exultava de alegria. Agradeciam a Deus em voz alta, pelos milagres que viram Jesus fazer e exclamavam seguidamente “Bendito o Rei que vem em nome do Senhor Paz no Céu e Glória a Deus”.

QUINTA-FEIRA SANTA – (Mt 26,26-29; Jo 13,1-11)


Jesus antes de entregar sua vida por amor a nós, quis celebrar com seus amigos, os Apóstolos, a Última ceia, na Quinta-feira Santa. Nesta Ceia Ele instituiu a Eucaristia, seu maior sacrifício.

Na noite em que foi preso, pouco antes, Jesus revivia, com seus amigos, a Festa da Páscoa dos Judeus. Naquele momento Jesus, tomando o pão e o vinho da refeição pascal, explicou aos amigos de que ele, como ensinara João Batista, era o verdadeiro cordeiro de Deus, o Libertador, que seria sacrificado para que o mundo fosse liberto do pecado e de suas conseqüências. E pediu para que daquele momento em diante, a Páscoa tivesse outro sentido, mais completo e verdadeiro. E a comemoração fosse a comunhão com ele, o Libertador “Tomai e Comei, isto é meu corpo, entregue... Tomai e Bebei, isto é o meu sangue, sangue da Nova e Eterna Aliança, sangue derramado para a libertação”.

Terminada a Ceia, Jesus foi orar no monte Getsêmani. Ali os Judeus o prenderam e condenado durante a noite de quinta-feira para sexta-feira, no tribunal religioso, ele foi levado a Pilatos para o processo civil-político. Na Quinta-Feira Santa comemoramos a instituição da Eucaristia e o Lava-Pés.

SEXTA-FEIRA SANTA – (Mc 15,1-39)


A Paixão e Morte de Jesus e a conseqüência de toda sua vida dedicada aos outros: “Não há maior prova de amor que dar a vida pelos amigos!” (Jo 15,13). Jesus, o Filho de Deus feito gente, assume sobre seus ombros toda injustiça, todo mal, todo pecado da humanidade e oferece sua vida, como cordeiro pascal, pela libertação e pela vida da humanidade. Ele viveu e morreu pela nossa salvação. É tempo de abstinência.


SÁBADO DE ALELUIA


É o silêncio de Deus que se faz sentir e nos prepara para a grande solenidade da Vigília Pascal e, sobretudo para a Manhã da Ressurreição. Nesta celebração, o altar é caracterizado com seus objetos e adornos novamente, que são trazidos em procissão pelo povo. É nesta missa, também, que é acendido o Círio Pascal, aquela grande vela que simboliza a presença da luz de cristo ressuscitado junto a nós. A partir da chama do Círio Pascal, os paroquianos vão acendendo as suas velas, e em poucos minutos toda a Igreja está iluminada somente pelas velas, sem qualquer iluminação artificial! Daí chamamos esta celebração de Missa da Luz.Confira alguns momentos marcantes desta celebração.


DOMINGO DE PÁSCOA – (Lc 24,1-6)


Parecia um fracasso total naquela sexta-feira! Mas o amor é sempre mais forte do que o ódio, a vida é sempre mais forte do que a morte, Deus é sempre mais forte que o homem! E, assim, Jesus ressuscitou! Jesus venceu a morte! Ele é o Senhor! No terceiro dia após a morte de Jesus, num Domingo em que os judeus celebravam a antiga Páscoa da Libertação, os discípulos bem cedinho, foram ao sepulcro, onde tinham enterrado o corpo de Jesus, e o encontraram vazio (Jo20,11-18), esteve com os apóstolos reunidos no Cenáculo (Jo20,19-29), caminhou na estrada de Emaús com dois discípulos (Lc24,13-35). O fato da ressurreição de Jesus Cristo continua sendo o centro da nossa fé, a alegria, a certeza e a força que impulsiona nossa vida de cristãos.

JESUS RESSUCITOU, quer dizer que... o Crucificado está vivo! Vivo na Glória do Pai, intercedendo por nós, como Senhor do Universo! Vivo sempre presente na história dos homens como libertador e salvador da humanidade. Vivo e presente, de modo especial, em sua Igreja e em nossa vida de cristãos: como nosso Senhor. Mas reparem em todas as aparições do Ressuscitado, os Evangelhos fazem notar que seus discípulos não o reconhecem imediatamente nem facilmente. Isso quer dizer que precisamos reconhecer Jesus presente em nossa vida, com os olhos da fé.


Ele venceu o mal e o pecado da humanidade. As forças do mal, da injustiça, da violência, do pecado, já foram vencidas pela raiz, Jesus Cristo é o Senhor e Libertador! A vida, o amor e a graça de Deus são mais fortes do que o mal. A Páscoa de libertação, já está em andamento, dentro de cada um de nós e no mundo. E na força de Cristo Ressuscitado, nosso Senhor, que podemos realizar, cada dia a nossa Páscoa, libertando-nos do egoísmo e do pecado, para sermos homens novos e viver uma Nova Vida. "... Como Ele e com Ele, nós também havemos de ressuscitar, vencendo o último mal, a morte. A ressurreição de Jesus é o penhor e a certeza da nossa própria ressurreição" ( 1Ts4,13-14 ).



OS SÍMBOLOS PASCAIS


O Círio Pascal - É uma vela grande e grossa, que deve ser acesa todos os anos, pela primeira vez, no Sábado Santo, no início da celebração da Vigília Pascal. Faz-se, se a inscrição dos quatros algarismos do ano em curso; depois se cravam cinco cravos, que lembram as cinco chagas de Jesus, além de duas letras gregas "Alfa" e "Ômega" a primeiras e últimas letras do alfabeto grego. O alfa representa o princípio e o ômega, o fim. O círio, simbolizando Cristo vivo, ressuscitado, é a luz que ilumina e guia a vida do cristão; pois o próprio Jesus disse: "Eu sou a luz do mundo!" "Eu sou o princípio e o fim".

O Cordeiro Pascal - Representa Cristo, o verdadeiro Cordeiro de Deus. Assim, o cordeiro é o símbolo mais antigo da Páscoa, relembra o sacrifício realizado pelos israelitas no primeiro dia da Páscoa, como símbolo da libertação do Egito. No Novo Testamento, o Cristo é o Cordeiro de Deus, que se sacrificou pela salvação de toda a humanidade. "Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo".


Óleos Santos - É na Quinta-feira Santa que se celebra a missa do Crisma, na catedral, onde os óleos sacramentais usados no Batismo, Crisma e Unção dos Enfermos são abençoados pelo bispo e os sacerdotes. O óleo simboliza o Espírito Santo, aquele que nos dá força para vivermos o evangelho de Jesus Cristo.


O Fogo - No início da cerimônia da Vigília Pascal, na noite do Sábado Santo, a celebração é iniciada com a benção do fogo, chamado de "fogo novo".O fogo é também símbolo da vida nova, da realidade da criação renovada pela morte e ressurreição de Jesus.


A Água - No Sábado Santo, durante a celebração da Vigília Pascal, o sacerdote faz a benção da água batismal que será utilizada nos batismos durante o ano, mergulhando o círio pascal na água, invocando a força do Espírito Santo, havendo ou não batismos. A aspersão do povo com a água benta, se realiza a renovação das promessas batismais. A água simboliza pureza, purificação e renovação.

Coelhinho - Por sua fecundidade a coelhinha simboliza a Igreja. É o símbolo da fertilidade, são animais que reproduzem com facilidade e em quantidade. Representa, portanto, a capacidade da Igreja produzir novos discípulos e espalhar pelo mundo a mensagem de Cristo.

Ovos de Páscoa - assim como o ovo, aparentemente morto, contém em si uma vida nova, assim o sepulcro de Cristo escondia uma Vida Nova. Simboliza uma nova vida. Vida que está para nascer. Os cristãos primitivos do oriente foram os primeiros a dar ovos coloridos na Páscoa simbolizando a ressurreição, o nascimento para uma nova vida. A ressurreição de Jesus também indica o princípio de uma nova vida.


Pão e Vinho - São os símbolos da Eucaristia. Foi na última ceia (Quinta-feira Santa), Jesus escolheu o pão e o vinho para dar vazão ao seu amor. Representando o seu corpo e sangue, que foram oferecidos aos seus discípulos para celebrar a vida eterna. O pão pode ser reapresentado por espigas de trigo e o vinho por cacho de uvas.


A Cruz - Jesus que morreu na cruz para nos salvar, deu à humanidade mais uma lição de humildade: sendo Filho de Deus, que tudo pode, ele morreu da forma mais humilhante que havia em seu tempo. A cruz nos recorda o sofrimento e a ressurreição de Jesus Cristo. No Concílio de Nicéia, em 325 d,C., Constantino declarou a cruz como símbolo oficial do cristianismo. Temos não somente um símbolo da Páscoa, mas um símbolo da fé católica, o sinal do cristão.
Prof.: Juberto Santos
Quer Saber mais??

- Bíblia Sagrada
- Catecismo da Igreja Católica (CIC)
- Apostila de Crisma da Paróquia N. Sra. D’Ajuda – Ilha/RJ
Site:
http://www.catolicosleigos.com.br

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

As práticas que nos santificam

A quarta-feira de Cinzas abre o tempo da Quaresma e também dá início à Campanha da Fraternidade, que propõe sempre - mas particularmente este ano - a defesa da vida. Este tempo de renovação espíritual nos prepara para celebrar a Páscoa de Jesus. Os 40 dias que nos separam da maior festa dos cristãos, a Páscoa, lembram os 40 anos de deserto do povo de Israel em busca da libertação e os 40 dias de jejum de Jesus.
O evangelho de hoje nos apresenta três práticas fundamentais do cristão: a caridade, a oração e o jejum. Essas práticas envolvem a pessoa com o próximo (esmola), com Deus (oração) e consigo mesma (jejum).
A esmola ou caridade nos lembra o aspecto da solidariedade que todo critão deve ter. O "gesto concreto" da Campanha da Fraternidade tem esta função: auxiliar alguém em dificuldades ou alguma instituição filantrópica. É um compromisso concreto com alguém.
A oração nos põe em contato com o trancendente, com a divindade. A oração faz parte da vida do cristão e nos lembra que, acima de nós, há alguém que não pode ser dispensado e do qual dependemos - Deus.
O jejum, muito incentivado na Bíblia, continua válido atualmente. Além de promover a renúncia de algum alimento em alguns dias do ano e libertar-nos da "febre do cnsumismo", ele tem a função de purificar nossa vid e é sinal de espera vigilante do Deus que vem e de cultivo da paciência e da tolerância para com os outros.
Se esses três elementos fazem parte da vida cristão nos 365 dias do ano, na Quaresma, com empenho e coragem, devem ser ainda mais valorizados e assumidos. Eles são o caminho de nossa santificação.
Durante o tempo quaresmal - há várias décadas - a Igreja nos apresenta também a Campanha da Fraternidade. Para este ano, o tema em destaque é "fraternidade e defesa da vida" e o lema, "escolhe, pois, a vida".
Pe. Nilo Luza,ssp
Fonte: Semanário Litúgico-catequético "O DOMINGO"
Editora: Paulus

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Orientações Gerais da Campanha

1. Tempo quaresmal e CF


Celebrar a Quaresma é reconhecer a presença de Deus na caminhada, no trabalho, na luta, no sofrimento e na dor da vida do povo! A Quaresma é tempo forte de conversão, de mudança interior, de graça e de salvação. Preparamo-nos para viver, de maneira intensa, livre e amorosa, o momento mais importante do ano litúrgico e da história da salvação: a Páscoa. A espiritualidade quaresmal é caracterizada também por atenta e prolongada escuta da Palavra de Deus. Ela ilumina a vida e chama à conversão, infundindo cobrança na misericórdia de Deus. No Brasil, a dimensão comunitária da Quaresma é vivenciada e assumida pela CF. A cada ano, a Igreja destaca uma situação da realidade social que precisa ser mudada. A CF ilumina, de modo particular, os gestos fundamentais desse tempo litúrgico: a oração, o jejum e a esmola.

Por meio do exercício da oração, pessoal e comunitária, as pessoas tornam-se sempre mais abertas e disponíveis às iniciativas da ação de Deus.O jejum e a abstinência de carne expressam a íntima relação existente entre os gestos externos da penitência, mudança de vida e conversão interior.A esmola confere aos gestos de generosidade humana uma dimensão evangélica profunda, que se expressa na solidariedade. Coloca a pessoa e a comunidade face a face com o irmão empobrecido e marginalizado, para ajudá-lo e promovê-lo.

Para celebrarmos melhor o tempo litúrgico da Quaresma, valorizando a CF, poderemos responder às seguintes perguntas:

• Quais os sinais de pecado e de morte que marcam mais a nossa comunidade atualmente?

• Quais os sinais de vida e ressurreição que gostaríamos que aparecessem entre nós?

• Como ligar esses sinais com o mistério que celebramos?

• De que maneira podemos encaminhar a CF e as celebrações da Quaresma, para que ajudem a comunidade a melhor celebrar a Páscoa?

• Como sentimos o tema proposto pela CF em nosso bairro, cidade ou região? Qual será o gesto concreto?


2. Natureza e histórico da CF


Em 1961, três padres responsáveis pela Cáritas Brasileira ideali-zaram uma campanha para arrecadar fundos para as atividades assistênciais e promocionais da instituição e torná-la, assim, autônoma financeiramente. A atividade foi chamada Campanha da Fraternidade e realizada, pela primeira vez, na Quaresma de 1962, em Natal (RN), com adesão de outras três dioceses e apoio financeiro dos bispos norte-americanos. No ano seguinte, dezesseis dioceses do Nordeste realizaram a Campanha. Não teve êxito financeiro, mas foi o embrião de um projeto anual dos Organismos Nacionais da CNBB e das Igrejas Particulares no Brasil, realizado à luz e na perspectiva das Diretrizes Gerais da Ação Pastoral (Evangelizadora) da Igreja em nosso País.Em seu início, teve destacada atuação o Secretariado Nacional de Ação Social da CNBB, sob cuja dependência estava a Cáritas Brasileira, que fora fundada no Brasil, em 1957. Na época, o responsável pelo Secretariado de Ação Social era dom Eugênio de Araújo Sales, e por isso, presidente da Cáritas Brasileira. O fato de ser administrador apostólico de Natal (RN) explica que a Campanha tenha iniciado naquela circunscrição eclesiástica e em todo o Rio Grande do Norte. Esse projeto foi lançado, em nível nacional, no dia 26 de dezembro de 1963, sob o impulso renovador do espírito do Concílio Vaticano II, em andamento na época, e realizado pela primeira vez na Quaresma de 1964. O tempo do Concílio foi fundamental para a concepção, estruturação e encaminhamentos da CF, do Plano de Pastoral de Emergência, do Plano de Pastoral de Conjunto e de outras iniciativas de renovação eclesial.
Ao longo de quatro anos seguidos, por um período extenso em cada um, os bispos ficaram hospedados na mesma casa, em Roma, participando das sessões do Concílio e de diversos momentos de reunião, estudo, troca de experiências. Nesse contexto, nasceu e cresceu a CF. Em 20 de dezembro de 1964, os bispos aprovaram o projeto inicial da mesma, intitulado: “Campanha da Fraternidade: pontos fundamentais apreciados pelo episcopado em Roma”. Em 1965, tanto a Cáritas quanto a Campanha da Fraternidade, que estavam vinculadas ao Secretariado Nacional de Ação Social, foram vincula-das diretamente ao Secretariado Geral da CNBB. A CNBB passou a assumir a CF.
Nessa transição, foi estabelecida a estruturação básica da CF. Em 1967 começou a ser redigido um subsídio, maior que os anteriores, para a organização anual da CF. Nesse mesmo ano, iniciaram-se, também, os encontros nacionais das Coordenações Nacional e Regionais da CF. A partir de 1971, tanto a Presidência da CNBB como a Comissão Episcopal de Pastoral começaram a ter uma participação mais intensa em todo o processo da CF.
Em 1970, a CF ganhou um especial e significativo apoio: a mensagem do Papa, transmitida em cadeia nacional de rádio e televisão, quando de sua abertura, na Quarta-feira de Cinzas. A mensagem papal continua enriquecendo a abertura da CF. De 1963 até hoje, a CF é uma atividade ampla de evangelização desenvolvida num determinado tempo (Quaresma), para ajudar os cristãos e as pessoas de boa vontade a viverem a fraternidade em compromissos concretos, no processo de transformação da sociedade, a partir de um problema específifico que exige a participação de todos, na busca de alternativas de solução. É grande instrumento para desenvolver o espírito quaresmal de conversão, renovação interior e ação comunitária, como a verdadeira penitência que Deus quer de nós em preparação à Páscoa. É momento de conversão, de prática de gestos concretos de fraternidade, de exercício de uma verdadeira pastoral de conjunto em prol da transformação de situações injustas e não-cristãs. É precioso meio para a evangelização no tempo quaresmal, retomando a pregação dos profetas, conformada por Cristo, segundo a qual, a verdadeira penitência que agrada a Deus é repartir o pão com quem tem fome, dar de vestir ao maltrapilho, libertar os oprimidos, promover a todos.
A CF tornou-se especial manifestação de evangelização libertadora, provocando, ao mesmo tempo, a renovação da vida da Igreja e a transformação da sociedade, a partir de problemas específicos, tratados à luz do Projeto de Deus.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Campanha da Fraternidade

Olá caros amigos e amigas catequistas e animadores de comunidade,
Que a paz esteja convosco.
Apartir de hoje, sempre as quintas-feiras, estarei publicando um material que pode ajudar no aprofundamento da Campanha da Fraternidade.
O material tem como fonte o folheto "O DOMINGO", Semanário Litúrgico -Catequético, editora Paulinas. As dioceses que fazem pedidos e utilizam este folheto também acompanharam semanalmente os informes do secretário-executivo da CF, Pe. José Adalberto Vvanzella, e poderam também aqui no nosso blog acompanhar o trabalho deste sacerdote que nos ensinará bastante o que a Igreja do Brasil quer nos orientar.
Espero que gostem!
E se você quer adquirir também o folheto, ou sugerir para a sua diocese, é só entrar no site da Paulinas, www.paulinas.org.br, por telefone (11) 3789-4000, e-mail: assinaturas@paulus.com.br e por carta endereço: O DOMINGO - Vila Raposo Tavares, Km18,5 - Cx.Postal 2.534-01060-970 São Paulo, SP.
Por Pe. José Adalberto Vangela,
Secretário-executivo da CF
  1. Vem ai nova Campanha

Estamos no início de um novo ano. Se, por um lado, ele vai repetir uma série de eventos aos quais estamos acostumados - sejam de ordem natural, como a primavera, o verão, o outono e o inverno, sejam culturais, como o carnaval, a semana santa, as festas juninas etc. - , por outro, deve significar avanços históricos e existenciais, para que não seja um ano morto ou apenas um a mais, mas contribua para a realização de todas as pessoas.

Nese contexto, situamos a Campanha da Fraternidade. Mais um evento que se repete? Sem dúvida! A Igreja no Brasil e o povo brasileiro em geral já têm a campanha da fraternidade cini akgi qye faz parte de suas vidas durante o tempo da Quaresma. Simplismente mais uma? Certamente não! trata-se de nova campanha. Tem novo tema - "Fraternidade e defesa da vida" - e nova abordagem da bioética. Novos aspectos serão analisados, tendo em vista nossa maior adesão ao projeto do Deus da vida que se torna manifesto na festa da Páscoa.

Este ano a Campanha da fratrernidade vai começar mais cedo, pois a quarta-feira de Cinzas, data que marca o seu início, ocorrerá no dia 6 de fevereiro. Por isso convém acelerar a nossa preparação. Precisamos preparar nossos agentes de pastoral de acordo com o conteúdo do Texto-Base e distribuir os cartazes, os subsídios para grupos de reflexão, os encontros catequéticos, escolares e juvenis, os folhetos quaresmais etc. Precisamos também aprender o hino da Campanha da Fraternidade será um marco na nossa história de valorização e defesa da vida, fato que nos fará crescer muito, principalmente diante de Deus.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Discípulos e Missionários, em defesa da vida.

O mês de fevereiro, este ano, introduz a Igreja na Quaresma com a cerimônia das Cinzas ja no dia 6. O convite - repetido individualmente a cada fiel que se coloca na fila dos que desejam acompanhar o caminho de Jesus para a Páscoa - é "Convertei-vos e crede no evangelho".
A proposta específica deste "tempo favorável" é a conversão buscada e acolhida na penitência, na oração, na reflexão, morte e ressurreição. O profetas voltam para apresentar exortações pertinentes aos que, incluídos no mistério da salvação pelo batismo, desejam aprofundar a novidade que Cristo trouxe ao mundo pela oferta da sua vida. Na liturgia da palavras, especialmente aos domingos, vamos deparar com textos do evangelho que nos recordarão que somos homens e mulhres renascidos no batismo e configurandos com Cristo.
Coincidindo com o tempo da Quaresma, a Igreja no Brasil propõe a Campanha da Fraternidade. Este ano o tema em foco é a vida - Fraternidade e defesa da vida -, com o seguinte objetivo geral: "levar a Igreja e a sociedade a defender e promover a vida humana, desde a sua concepção até a sua morte natural, compreendida como dom de Deus e co-responsabilidade de todos, na busca de sua plenificação a partir da beleza e do sentido da vida em todas as circuntâncias e do compromisso ético do amor fraterno".
A Igreja está em estado de missão. O convite feito pelo documento de Aparecida é o de "abraçar todo o continente para transmitir-lhe o amor de Deus e nosso", desejando que "este abraço possa alcançar o mundo inteiro". O entusiasmo com que o continente latino-americano, especialmente o Brasil, recebeu as conclusões da V Conferência Geral enseja como que um "novo pentecostes" que impulsina a todos a ir em busca dos que pouco conhecem e amam Jesus Cristo, para formar com alegria a comunidade de amor do nosso Deus e Pai. A missão deve, pois, atingir a todos de forma permanente e profunda.
A Quaresma é tempo oportuno para, entrando mais uma vez na escola de Jesus, formar discípulos e missionários. Homens e mulheres que avancem com esperança na construção de comunidades marcadas pela força do Espírito e iluminadas pela luz do evangelho.
Que todos, nos seguimento do salvador Jesus, nos demos as mãos para fazê-lo mais conhecido e mais amado - sendo sempre fiéis defensores da vida.

Dom Geraldo Majella Agnelo, Cardeal Arcebispo de Salvador-Ba.
Fonte: Liturgia Diária
Editora: Paulinas