Mostrando postagens com marcador discípulos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador discípulos. Mostrar todas as postagens

domingo, 19 de dezembro de 2010

Devemos buscar sempre seguir o exemplo de Jesus?

Ser Exemplo Hoje

Se um cristão tem que comunicar a fé, esperança e amor, ardor missionário, vibração e alegria, responsabilidade e dedicação, e tantas outras virtudes, deverá possuí-las antes. O Cristão não nasce; faz-se! Não podemos ser “pescadores de aquário”, como diz Dom Rafael Cifuentes. Entendeu-se que o líder, em suma, é aquele que auxilia o grupo a atingir seus objetivos em objetivos em uma determinada situação. O cristão, dessa forma, precisa ser exemplo perante os outros. Ser Cristão é ser líder, pois é aquele que conhece a verdade e tem a missão de transmiti-la aos outros. Eu preciso ser exemplo (“Sal da terra e luz do mundo”) perante minha família, meu ministério, meu grupo,  minha Igreja sempre, em todo o lugar e a toda a hora!!! O que adianta eu ser uma pessoa na igreja, nos encontros e eventos e outra totalmente diferente com a minha namorada, meu esposo, meus filhos, com meus amigos... Mascarado não dá mais pra viver! Temos que fazer nossas escolhas, sair de cima dos muros da indecisão (Ap 3, 15-16) Essa é a nossa maior vocação!

Mas assim que pensamos isso, vem as perguntas: Como? Por que? ... Se somos cristãos, devemos seguir o exemplo de Jesus. "Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou." (1Jo 2, 6) Se você é uma liderança religiosa,  precisa ser luz e exemplo para o próximo. Precisamso ser castos e Santos!! Deus não quer homens conformados com este mundo (Rm 12, 2); é preciso ir além e não tomar a forma dada por uma vida paganizada. Essa é a única maneira de discernir a vontade de Deus. Todo aquele que assume a Fé em Jesus, deve assumi-la incondicionalmente “Aquele que vive E crê em mim jamais morrerá” (Jo 11, 26)

Não podemos brincar se ser Igreja!!! Estamos em guerra contra um exército aguerrido e extremamente maligno, cujo comandante é um anjo decaído, chamado Satanás. É preciso RENUNCIAR, RESISTIR e Deus irá  RESTAURAR. Você tem vivido os Sacramentos? Participado da Eucaristia? Vivenciado a Confissão??... Amado(a),  Deus é tão fabuloso, que Ele nos deu: 2 olhos (um para contemplá-lo e o outro para o irmão), 2 orelhas (uma para escutar sua voz e outra para ouvir o próximo), 2 braços (um para o louvor e outro para ajudar o irmão), 2 pernas (uma para andar para o Evangelho de Cristo e outra para ir em direção ao outro). Nos temos que olhar para todos com um olhar transformador. Temos que ter desprendimento das coisas mundanas e ter mais segurança em Deus! Tenha certeza que, no “mínimo”, você terá o auxílio de 14 pessoas (Maria, José, e os doze Apóstolos), além dos Anjos e Santos. Com certeza, eles intercederão a Deus por ti e pela sua missão. Este questionamento é muito importante porque vemos que a figueira que não produz frutos é amaldiçoada por Jesus. “Meu justo viverá pela fé, mas se voltar atrás não contará com a minha estima” (Hb 10, 38).

            Para servir a Deus verdadeirmente, é necessário inúmeras virtudes: Humildade, Vida Interior, Ser Instrumento de Deus, ser um homem de Oração, inspirar segurança e confiança, ser laegre, dinâmico, saber escutar, ser discreto... SER SERVO. Mas existem as tentações e os grandes pecados para aqueles que estão a frente de algum ministério. Eis os grandes pecados: VAIDADE, CIÚME, SERVIR PELA METADE, SERVIR SEM AMOR, VOLVAR A VIDA ANTIGA, ORGULHO, AGIR PELA CARNE, FALTA DE COMPROMISSO, NÃO PARTILHAR, e a pior de todas... AQUELA QUE NÃO CONTAMOS A NINGUÉM, QUE NÃO PARTILHAMOS... AQUELA QUE NÃO ADMITIMOS QUE TEMOS... É A MAIS OCULTA E MAIS PERIGOSA DE TODAS!!!

            Não podemos criar um novo catecismo, viver e pregar o nosso próprio Evangelho, anunciar um Cristo light. Depois que JESUS morreu todos os discípulos ficaram com muito medo e viviam trancados. Pedro disse:  “Eu vou pescar e todos os outros disseram: Vamos contigo.” Esta é a primeira atitude que temos quando estamos em uma dificuldade, é voltar a vida velha, mas esta palavra diz que eles passaram a noite inteira e não pegaram nem um peixe e sabe porque???  Porque um dia este Pedro passou de pescador de peixes para ser pescador de homens e o mesmo acontece com todos nós. Um dia Jesus lhe disse algo que você pode até não lembrar de cabeça, mas está cravado em seu coração. Da mesma forma que Jesus conhecia a vocação de Pedro, ELE também conhece a sua. Eis o maior desafio do servo fiel a Deus: "É preciso que ele cresça e eu diminua" (João 3,30). Nós somos instrumentos de salvação de almas! A minha vida de ontem cheia de erros e de pecados não poder ser a mesma de hoje!

            Eis o que assinalou um padre: “Não vou à Igreja porque alguém me obriga... Não rezo porque tenho medo de Deus... Não tenho 'obrigações espirituais'... Ninguém me proíbe ou me condena, minha igreja apenas me orienta, me mostra o caminho, porque... ‘minha fé é expressão de minha liberdade!’ (Jo 6,67)

            Há muitas tarefas a serem realizadas, mas são poucos aqueles que as aceitam, ou melhor, entendem o verdadeiro chamado de Deus. Muitos não abrem espaço em suas vidas para Deus nem para o seu Evangelho, dizem não possuir tempo para tal. Madre Tereza de Calcutá sobre esse assunto costumava dizer: “Ter tempo é uma silenciosa declaração de amor”. Em Jeremias vemos a nossa vocação: “Eu te constitui profeta para as nações” (Jr 1, 5). E para chegarmos ao Povo de Deus, precisamos ter maleabilidade, temos que trabalhar uma conscientização cristã, com carinho, dedicação e muito amor. Nós somos os instrumentos onde o Senhor pega a água (nossas qualidades) e a areia (nossos defeitos) e os coloca a serviço do Reino. Não se esqueça disso: Sozinhos, não somos nada; mas juntos, vencemos distâncias!
A paz!

Juberto Santos/RJ

Namoro Cristão - Relacionamento Cristão


            Como sabemos, namoro é tempo de conhecimento mútuo, de revelação um ao outro, de alegria serena e de descoberta do amor. Por isso, é necessário levar os jovens a reflexão neste tempo de namoro para que possam pensar sobre suas escolhas e desejos antes de formarem uma família. Namoro é o período em que o rapaz e a moça procuram conhecer-se em preparação para um compromisso mais sério: o casamento. No matrimônio, homem e mulher doam seus corpos, constituem uma só carne e tornam-se instrumentos de Deus na formação de uma família e na geração de novas vidas. “A sexualidade está ordenada para o amor conjugal entre o homem e a mulher. No casamento a intimidade corporal dos esposos se torna um sinal e um penhor de comunhão espiritual (...)" Catecismo da Igreja Católica - Parágrafo 2360. A sexualidade humana é obra divina. Por isso é um sublime mistério. A sexualidade humana está ordenada à totalidade da pessoa, sendo de importância decisiva para o desenvolvimento equilibrado da personalidade. Desse modo, a sexualidade é muito mais abrangente, pois engloba o físico, o psíquico e o espiritual. (CIC)

            Contudo, antes de doar os corpos é preciso doar as almas. No período do namoro, os jovens devem procurar não o corpo do outro, mas a sua alma. Eles não podem ter relações sexuais, pois o corpo do outro ainda não lhe pertence. Unir-se ao corpo alheio antes do casamento (fornicação) é um pecado contra a justiça, algo como um roubo. “Fugi da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra o seu próprio corpo.” (1Cor 6, 18) Nosso corpo é templo do Espírito Santo e a profanação desse templo é um sacrilégio! “Não sabeis que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus é sagrado - e isto sois vós.” (1Cor 3, 16-17)

            Todavia, não é apenas a fornicação que é pecado, mas tudo que provoca o desejo de fornicação, como certos abraços e beijos que, são mais do que constituições de afeto e despertam o desejo físico. Aliás, é possível profanar o templo do nosso corpo até por pensamento: “Todo aquele que olha para uma mulher com mau desejo já cometeu adultério com ela em seu coração” (Mt 5, 28). Vale a pena lembrar o que Jesus dizia: “Vigiai e orais para não caíres em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca.” (Mt 26, 41). “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma.” (1Cor 6, 12).

            O prazer da excitação dos sentidos, além disso, torna-os incapazes de perceber a beleza da alma do outro. O namoro deixa de ser uma ocasião de amar e passa a ser uma ocasião de egoísmo a dois, cada um tentando sugar do outro o máximo de prazer, contudo, só quem quer seguir verdadeiramente a Jesus precisa ter essa conscientização sobre o relacionamento com o outro. Mas como se deve namorar?? Sendo o namoro o encontro de dois templos sagrados que desejam conhecer-se e amar-se interiormente, devem lembrar que vocês são cristãos, logo, precisam agir como tal, precisam ser exemplos aos outros.

E SE O OUTRO NÃO ACEITAR NAMORAR CRISTÃMENTE??

            É preciso renunciar ao namorado! Jesus afirmava claramente: Quem ama seu pai ou sua mãe mais que a mim, não é digno de mim. Quem ama seu filho mais que a mim, não é digno de mim. Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. (Mt 10, 37-38) E Jesus poderia ter acrescentado: AQUELE QUE AMA SEU NAMORADO MAIS DO QUE A MIM, NÃO É DIGNO DE MIM! Para conservar a Graça que Cristo nos conquistou com o preço do seu sangue, devemos renunciar até a própria vida. Mas há um conforto: Se o outro não aceitar namorar se não através de beijos e abraços escandalosos, querer ter relações sexuais antes do casamento ou carícias impróprias, na verdade, ele (a) não ama você, mas deseja apenas o prazer que você pode oferecer. Quer apenas te usar como um copo descartável. Lembre-se: O verdadeiro amor sabe esperar.

É PRECISO SER DIFERENTE DE TODO MUNDO??

            SIM. O verdadeiro cristão deve ser Sal da Terra e Luz do mundo (Mt 13, 33). Na carta de São Paulo a Romanos, vemos claramente como nós devemos ser frente a esse mundo cheio de violências, modismos, drogas, prostituições, poligamias, injustiças e inverdades: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso espírito, para que possais discernir qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que lhe agrada e o que é perfeito.” (Rm 12, 2)

            Aquele que procura o prazer encontra o prazer, mas depois vem o vazio, o remorso de consciência e a tristeza. Aquele que se abstém do prazer por amor, encontra a alegria. Os puros de coração são capazes desde já de conhecer as coisas de Deus muito melhor que os outros. A pureza se expressa no olhar. Ao olharmos parar os olhos de uma pessoa pura, vemos algo de Deus em sua alma. A alegria da pureza está acima do prazer carnal assim como o céu está acima da terra. Ser puro não é fácil, mas não é impossível. Amado (a), Castidade é virtude, não radicalismo!! Deus nos capacitou a vencer tal provação! Leia a Palavra Dele: "Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela". (1Cor 10,13)

NAMORO: INÍCIO DO MATRIMÔNIO

            O namoro deve ser visto como um ato de amor, não como diversão, pois você estará desrespeitando um templo de Deus. Atualmente, a sociedade vem usando um termo do mundo que é contra tudo o que Jesus pregou e faz com que seu Sacrifício seja sem nenhum valor. Esse termo é o FICAR. Ele possui uma conotação anti-cristã, pois representa: Desonestidade, Desconfiança, Descompromisso, Superficialidade, Desrespeito contra vida, Não valoriza o verdadeiro amor, Infidelidade, Impureza, Indecisão, Perversidade, Ato de pura atração Física... O relacionamento entre duas pessoas cristãs dever ser sincero, honesto, fraterno, compromissado e, principalmente, santo! “Sereis santos porque Eu sou santo.” (Lv 11, 45). Lembre-se que não basta crer, é preciso viver a fé!! “Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas por atos e em verdade.” (1Jo 3, 18) E mais: “E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá. Crês nisto?” (Jo 11, 26). 

            Nada deve ser feito sem pensar muito. O ditado diz: “A pressa é a inimiga da perfeição” e com o namoro não é diferente. As pessoas precisam observar bem os pretender antes de se aproximar, Analisar como ele (a) se relaciona com os amigos, parentes, se participa da mesma fé que você e que se sinta a vontade com as atividades que você tem ou participa, se possui um ideal de vida, os tipos de locais onde freqüenta, como ele é por dentro. Observar é a principal arma que nós temos para evitar desilusões, sofrimentos, desapontamentos e arrependimentos futuros. Você precisa querer namorar não pelos outros, mas por você mesmo. A felicidade do mal é querer mais do que se tem e querer ser o que não é. Você não precisa de maus conselhos dizendo que você deve namorar esta ou aquela pessoa. O que vale mesmo é o interior e não o exterior. “Sede sóbrios e vigiai. Vosso adversário, o demônio, anda ao redor de vós como o leão que ruge, buscando a quem devorar. Resisti-lhe fortes na fé. (1Pd 5, 8)

            O Noivado é um ato mais firme que o namoro, pois ambos têm um pouco mais de certeza do sentimento que sentem um pelo outro e querem ampliar seu compromisso. Ele é um passo mais concreto do futuro que o casal deseja para si. Não há um tempo determinado para o noivado, dependendo de cada casal, contudo, é necessário que esse “degrau” dure um bom tempo de discernimento. O respeito e o modo de namorar devem ser o mesmo! Para o verdadeiro cristão esses três estágios (namoro, noivado e matrimônio) precisam ser percorridos, pois são dons de Deus para a sua vida, são sacramentos vivos para que juntos, vocês possam planejar e estruturar sua futura família, o casal possa caminhar na Graça de Deus.


            Lembre-se que você é exemplo e precisa ser diferente das outras pessoas que não são cristãs. “Aquele que diz conhecê-lo e não guarda os seus mandamentos é mentiroso e a verdade não está nele.” (1Jo 2, 4) “aquele que afirma permanecer nele deve também viver como ele viveu.” (1Jo 2, 6). Se no decorrer desta longa caminhada, você perceber que o outro não está caminhando junto, é o momento de repensar o namoro e talvez até desfazê-lo. É para isso que ele existe!! Não dê ouvidos para que os outros falam ou o que a sociedade vem impondo. Nós estamos no mundo, mas não pertencemos a ele!!! Não se acomode; não se conforme com os erros. Seja firme e terás a felicidade. A sociedade prega que o casal deve ter relações sexuais quando quiserem, contudo, a Bíblia nos diz claramente: “Mas, se não podem guardar a castidade, casem-se. É melhor casar do que abrasar-se.” (1Cor 7, 9)

            No Matrimônio, vemos a completa união do casal. Ele é para toda a vida! “Vós todos considerai o matrimônio com respeito e conservai o leito conjugal imaculado, porque Deus julgará os impuros e os adúlteros.” (Hb 13, 4) Jesus foi muito claro quando afirmou a indissolubilidade do casamento.  “Não separe, pois, o homem o que Deus uniu (...) Ele disse-lhes: Quem repudia sua mulher e se casa com outra, comete adultério contra a primeira. E se a mulher repudia o marido e se casa com outro, comete adultério." (Mt 10, 9-12) Quando lemos a carta de Paulo a Romanos, vemos claramente: “Assim, a mulher casada está sujeita ao marido pela lei enquanto ele vive; mas, se o marido morrer, fica desobrigada da lei que a ligava ao marido. Por isso, enquanto viver o marido, se se tornar mulher de outro homem, será chamada adúltera. Porém, morrendo o marido, fica desligada da lei, de maneira que, sem se tornar adúltera, poderá casar-se com outro homem.” (Rm 7, 2-3)

É BOM SER QUADRADO! EM UM PENHASCO, QUANDO ALGUÉM NOS EMPURRA, O QUADRADO PÁRA, MAS O REDONDO SEGUE E CAI...

Seja Santo!!

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A Importância dos Retiros Espirituais

Sua comunidade tem o costume de realizar retiros? As pastorais têm em seus cronogramas anuais tal atividade? Os catequistas e demais lideranças costumam se fortalecer em alguns dias de afastamento?? Esse artigo trará algumas importantes respostas para suas principais dúvidas.

Retiro significa sair do seu lugar de convívio, afastar-se; deixar suas atividades para buscar uma reflexão... Lembro ainda que a palavra Retiro é mais ampla, pois se refere a todos aqueles que se recolhem para orar, tendo assim um encontro mais profundo com Deus (Mt 6, 5-8). Todas as pastorais deveriam ter, em seu cronograma anual, um retiro espiritual. E também os catequistas deveriam participar te tais atividades, pois precisam também encher “suas talhas” com a Graça de Deus, visando que elas não fiquem secas.

- Eles são mesmo Importantes??

O Retiro é fundamental para fortalecer a fé das pessoas, pois elas deixam suas preocupações diárias para voltar seu pensamento para o Senhor. E nesses dias de refúgio, os jovens e adultos podem perceber a importância de suas famílias, a valorização das amizades, além de todos poderem passar pelo “deserto” entendendo a plenitude da fé. Lembro que o “deserto” não dever ser visto como algo sem vida, estéril, ou duro de caminhar, mas como algo fértil. E essa fertilidade poderá nos transformar e nos renovar na caminhada.

Não podemos esquecer que Jesus, em vários momentos, saía várias vezes para rezar, para meditar:
  • “Venham vocês também para um lugar deserto e descansem um pouco” (Mc 6, 31)
  • “Partiram na barca para um lugar solitário, à parte”.(Mc 6, 32)
  • “Retirou-se para uma região vizinha do deserto, a uma cidade chamada Efraim, e ali se detinha com seus discípulos.” (Jo 11, 54).
  • "Num daqueles dias ele subiu com os seus discípulos a uma barca. Disse ele: Passemos à outra margem do lago. E eles partiram." (Lc 8, 22)
  • “A hora já estava bem avançada quando se achegaram a ele os seus discípulos e disseram: Este lugar é deserto, e já é tarde”. (Mc 6, 35).
  • “Mas ele costumava retirar-se a lugares solitários para orar”.(Lc 5, 16)
Os retiros espirituais, de formação, as vivências ou os chamados acampamentos são muito importantes para aprofundar nossa fé. Os retiros podem ser de metade de um dia, de um dia, de três dias, de uma semana... Depende da sua finalidade e do público-alvo.

 - Como prepará-lo? É muito difícil??

Para a realização dessa atividade, é necessário ter em mente o objetivo do retiro, ver a realidade do grupo e buscar apoio e orientação com o sacerdote de sua comunidade. A equipe de coordenação precisa estar fortalecida e sem problemas internos, pois algo assim pode comprometer seu evento. Eis as principais etapas da organização:
- Pensar o tema do retiro (ponto fundamental que abrangerá as demais partes do evento);
- Projetar o programa (corpo do retiro com as pregações, os momentos de oração, animações, desertos, lembrancinhas, celebração com o padre, as músicas, as dinâmicas, a ornamentação...);
- Pesquisar o melhor local (é necessário pesquisar um local que traga as melhores condições para receber os retirantes e para a realização das atividades pensadas no programa do Retiro).

Além dessas medidas, é necessário lembrar do transporte, da alimentação, lista do que levar, Missa de entrega, autorização dos responsáveis, possíveis gastos, os horários, material de primeiros socorros, mensagens dos amigos e responsáveis. 

É interessante dividir a coordenação em equipes visando dinamizar a organização e também diminuir que cada um fique sobrecarregado. Equipe de finanças, cozinha, música, momentos de oração, formação, intercessão, apoio, dinâmica, ornamentação, dentre outros. Nem sempre nossas coordenações são grandes em números e essas “mini-equipes” ficam representadas por uma ou duas pessoas, todavia, já é uma boa divisão de tarefas.Nas reuniões preparatórias cada equipe apresenta seus avanços e o retiro vai tendo sua estrutura montada. Peça, se possível, a presença do sacerdote em algumas dessas reuniões, visando apresentar o que vem sendo estruturado e pedindo orientações e sugestões.

Cada Retiro é um momento único, mesmo que você repita o tema e as atividades nos ano seguinte. Não se podem prever as suas realizações em cada pessoa, mas tenha certeza que o Espírito Santo irá agir e fará que esse retirante tenha um encontro maior com Deus. Talvez você pense que essa atividade requer muitas atenções, traz inúmeras dificuldades e obstáculos para a sua realização, porém não se esqueça que você não estará sozinho(a)! O sacerdote é o seu maior aliado e ainda você dispõe da sua equipe de coordenação.

Ao iniciar esse grandioso projeto, você irá compreender a importância dos retiros na vida das pessoas; entenderá que será necessária persistência e trabalho árduo para montar toda a sua estrutura; ter toda a calma e paciência para executá-lo junto com sua equipe; achará as respostas para suas principais dúvidas e verá o quão maravilhoso é o seu resultado, pois os retiros são magníficos momentos de forte interiorização e maior sintonia com nosso amado Deus. Lance essa idéia em seu grupo, movimento ou pastoral.

- OLHA A DICA!!!


Devido a falta de literatura sobre o tema, escrevi um livro (Como preparar um Retiro) que orienta todas essas tarefas descritas acima e ainda traz inúmeros exemplos de retiros já realizados para exemplificar toda a teoria explicada no decorrer do mesmo. Fica a sugestão de leitura para que catequistas, agentes de pastoral e sacerdotes possam ter suas dúvidas sanadas para ampliar e aprofundar seus retiros.

Paz e Bem!

- Fonte:  SANTOS, Juberto. “Como preparar um Retiro” - Editora Vozes, 2009.

__________________________________________________

 Juberto Santos é Historiador e professor de História, pela UFRJ. Atua como Catequista (Crisma e Perseverança) na Paróquia Nossa Senhora d’Ajuda (Igreja de Santo Antônio), no Rio de Janeiro. É ministro de música e pregador, animador de retiros e vivências. É autor de “Como preparar um Retiro” - Editora Vozes, 2009.

sábado, 2 de outubro de 2010

Perseverança: uma pastoral ainda esquecida

Bem, eis uma situação inda bem frequente em nossas Arquidioceses.

Infelizmente essa afirmação vem sendo cada vez mais vista em nossa amada Igreja nos últimos anos. Após as crianças receberem a Primeira Comunhão, a catequese deveria ser continuada em um novo grupo voltado para esse outro “degrau” de Evangelização, a chamada Perseverança. Em algumas comunidades esse grupo também é chamado de “Mini-Jovem”.
• Mas porque essa Pastoral não vem tendo uma atenção especial por parte das Dioceses e Paróquias?
Bem, essa é a pergunta que precisa ser vista, e resolvida! É evidente que não podemos generalizar, mas, em esfera nacional, essa pastoral vem ficando a margem das demais. Depois da Primeira Comunhão essas crianças só retornam na época de preparação para a Crisma, aos 15 anos, porém, esse “vácuo” de 5 a 6 anos acaba sendo muito prejudicial para a formação espiritual desses jovens. Grande parte dessas crianças acaba não retornando mais ao convívio da comunidade. A vivência da Fé acaba enfraquecendo.
E não podemos esquecer que é nesse período da vida que as pessoas passam por grandes questionamentos, dúvidas em relação a tudo, agressividade, mudanças e descobertas, pois não estão amadurecidos. A participação em um grupo religioso torna-se essencial para que a fé desses jovens não seja minada pelo mundo nem pelas malícias do tentador.
A Perseverança entra nesse espaço, dedicando-se a todas as crianças e adolescentes que já fizeram a Primeira Comunhão com até 14 anos de idade. Como esse grupo não visa sacramento em si, como ocorre na Crisma, por exemplo, é necessário que os encontros da perseverança sejam bem dinâmicos; com temas doutrinais um pouco mais profundos; temas sociais que tenham a ver com a faixa etária deles; com uso de música, animação; encontros com outras comunidades, eventos, atividades sociais... Enfim, atividades de cativem a permanência desse jovem na comunidade. Daí vem seu nome, pois é na perseverança que essas crianças irão amadurecer e sentir-se cada vez mais parte da comunidade.
Esse grupo ajuda muito no engajamento da criança na paróquia, dá continuidade à vida cristã das crianças e faz com que elas tenham uma identidade maior com a comunidade e com a Igreja, colaborando para uma educação permanente na fé daqueles que já passaram pela Catequese Eucarística e fazer com que eles permaneçam até chegar a época de se preparar para o próximo sacramento de Iniciação Cristã, a Crisma.
Bem, os problemas mais vistos são a falta de catequistas de perseverança, a falta de livros e materiais específicos a disposição do catequista, cursos de formação, a ausência de participação ativa do sacerdote auxiliando nesse chamado das famílias para que as crianças e adolescentes entrem na pastoral, falta de espaço físico nas igrejas (horários, salas...), falta de atividades e eventos para essa faixa etária, dentre outras dificuldades.
Em alguns organogramas das igrejas vemos: Pastoral do Batismo, Pastoral da Catequese, Pastoral da Crisma, Grupo Jovens... Mas e a Perseverança? Alguns dizem que ela está vinculada à catequese, o que não estaria totalmente errado, entretanto, essa pastoral tem outro objetivo, não visa sacramento, trabalhará com esses “mini-jovistas” por alguns anos e não pode ser tratada nem deve ter encontros iguais à catequese de primeira comunhão porque essas crianças devem ver nessa nova pastoral, novidades e temas mais profundos e diferentes.
• Então, como uma paróquia pode melhorar esse cenário?


  • O sacerdote pode formar um grupo de catequistas, adquirir livros de apoio de Perseverança para fornecer aos catequistas. 

  • Deve-se criar um calendário específico aonde os encontros semanais possam reforçar a formação católica e a espiritualidade através de: músicas, pregações, brincadeiras novas, momentos de oração, animação, lazer, eventos, confraternizações, coral, atividades em grupo, debates sobre temas diversos, dinâmicas, visitas a instituições carentes, dentre outros.

  • A paróquia pode organizar cursos de formação de catequistas focando a Catequese Renovada, com encontros dinâmicos e não “aulas” similares ao colégio...

  • A paróquia pode procurar saber se há cursos de formação para catequistas de perseverança na forania, diocese ou arquidiocese visando assim, preparar melhor os catequistas para essa pastoral. Aproveitar as fichas de inscrição das crianças da catequese para o envio de cartas para a casa desses jovens chamando para a perseverança, também durante as reuniões de pais das turmas de 2º ano já ir apresentando a pastoral aos pais.

  • Com a pastoral formada, escolher um slogan e um nome para o grupo, os quais podem ser vistos pelo próprio grupo.
Lembro que a catequese está presente em todas as idades e deve ser uma trajetória CONTÍNUA de Educação na Fé.
Caríssimo leitor, a pastoral da perseverança é um grupo adolescente, que busca um novo amanhã. Porém, sabemos da importância de estarmos plantando-o hoje, para que ele possa nos dar muitos frutos. Viver é caminhar; todavia, sem perseverança, a nossa caminhada se torna difícil. E quando estamos em grupo, nos tornamos soldados de Cristo, mais firmes na Fé, partilhando todas as pedras e colhendo todas as flores em nossa vida.
Ser jovem é construir um mundo melhor, mas tudo depende do nosso SIM hoje. Faça florescer essa pastoral em sua paróquia. Se ela já existe, torne-a mais participante, forme melhor os seus catequistas, busque dinamizar os encontros, pois com certeza os frutos serão maravilhosos!

Juberto Santos
"Pois vos é necessária a perseverança para fazerdes a vontade de Deus e alcançardes os bens prometidos." (Hb 10, 36)
  
Mãos à obra!!!

O "Ficar" é de Deus? Não!!!

Muito se tem discutido inda sobre uma frase dita pelo Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, Dom Dimas Lara Barbosa, dita em 2007, o qual condenou o hábito de "ficar", comum entre jovens e adolescentes. O bispo assinalou na ocasião: “O senso do descartável do 'ficar', que era próprio das garotas de programa, é hoje vivenciado pelas adolescentes. Os meninos apostam entre eles para saber quem fica com mais garotas numa noite. No dia seguinte, eles não sabem nem o nome delas, o que significa que essa pessoa, com quem 'ficou', não vale absolutamente nada. O problema é grave e atinge adolescentes e pré-adolescentes”. (O Globo Online 08/05/2007)

Alguns veículos de informação assinalaram que ficar então é algo do “Capeta”. Bem, queria ir pelo outro viés: “Ficar é de Deus?”

Bem, eu sou jovem, sou professor de História, tenho 29 anos, sou católico, sou catequista e líder pastoral, atuo com crianças, adolescentes e jovens no meu bairro desde 1998.

E nunca tive medo de assumir minha fé, os valores morais e a doutrina religiosa católica. Fiquei muito triste de ver parte da juventude católica criticando essa atitude de Dom Dimas. Jovens católicos aceitando relacionamentos superficiais, sendo verdadeiros “copos descartáveis”.

Os católicos precisam levar o Cristo incondicionalmente, não nos conformando com o mundo, mas o que vemos são pessoas buscando apenas uma “fé de supermercado”, ou seja, você apenas assimila das “prateleiras” aquilo que gosta e descarta o restante da doutrina. O que está acontecendo?

O bispo nos lembra que não podemos brincar de ser Igreja! Não podemos buscar um Cristo “Light”, segundo um “quinto Evangelho” o qual aceita meus erros e pecados. Nós não podemos aceitar que os católicos tenham valores mundanos, modismos que vão de encontro com a Doutrina Cristã e acabam, assim, escrevendo “seu próprio Catecismo”.

E o que vem a ser a prostituição? É a comercialização da prática sexual ou, é o oferecimento de satisfação sexual em troca de vantagens monetárias, prazeres ou favores. A Bíblia é clara sobre esse assunto. Em várias passagens vemos a condenação dessa prática: “Fugi da prostituição. Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo.” (1 Cor 6, 18) Não se discute esse assunto, pois é um pecado muito grave, pois o nosso corpo é Templo do Espírito Santo (1Cor 3, 16-17).

Um jovem paulista, em uma comunidade do site de relacionamentos Orkut assinalou: “Eu prefiro Ficar... Ficar esperando no Senhor. Quem fica está se prostituindo, pois esta trocando de parceiros. Lembrando que adultério não é só quando se tem um ato sexual...”

E vemos a comparação do bispo do ato do “ficar” com “as garotas de programa”. Bem, quem está “ficando”, acaba também oferecimento o seu próprio corpo em troca do seu prazer pessoal e também em busca de “status” perante os amigos e colegas. “Ficam” com um enorme número de pessoas, beijam, trocam carícias, algumas vezes termina com o ato sexual e, no dia seguinte, partem para outros relacionamentos. Foi por isso que o bispo usou o termo “descartável”. As garotas e garotos de programa ficam por dinheiro, contudo, os adolescentes e jovens seguem um caminho próximo, usando seus corpos para relacionamentos sem nenhum tipo de preocupação com o outro, quantas vezes for necessário para se satisfazerem. Isso também é pecado.

Algumas pessoas dizem que o “ficar” é o antigo ato de paquerar, contudo, quando você paquera alguém você não visa simplesmente utilizar o corpo do outro para o benefício próprio, mas a busca de um relacionamento duradouro e sincero.

O “ficar” prega atitudes anticristãs, tais como: a desonestidade, desconfiança, descompromisso, a superficialidade, desrespeito contra vida, não valoriza o verdadeiro amor, prega a infidelidade, a impureza, indecisão, crueldade, ato de pura atração física... O relacionamento entre duas pessoas cristãs dever ser sincero, fiel, puro, honesto, fraterno, compromissado e, principalmente, santo. O bispo apenas seguiu a Bíblia, a doutrina católica, assinalando que devemos ser cristãos autênticos, e se mostrou preocupado com a realidade dos jovens de hoje. Nós precisamos ser exemplo perante nossas famílias, nossos ministérios, nossos colegas da escola / faculdade, na nossa Igreja... Sempre em todo o lugar e a toda a hora!!! O que adianta ser uma pessoa na igreja, nos encontros e eventos e outra totalmente diferente com a minha namorada, meu esposo, meus filhos, com meus amigos... Mascarado não dá mais pra viver! A pergunta precisa ser feita. Então: O “ficar” é de Deus? Claro que não.

A castidade precisa ser vista pelos cristãos não como uma opção, mas como meta de vida. Tanto no namoro, como no noivado e até dentro do casamento, um sendo fiel ao outro. O sexo só poder ser feito após o matrimônio, pois no namoro e noivado um ainda não pertence ao outro. Precisamos abolir a camisinha, pois não podemos banalizar o ato sexual que vem sendo visto nas últimas décadas. Precisamos nos manifestar contra o aborto, pois são seres humanos assim como nós. A juventude precisa rever seus valores, as canções que estão escutando (com letras pornográficas e violentas). Isso não vem de uma “Igreja totalmente ultrapassada” (como foi dito por uma leitora na última edição), mas de uma igreja fiel à Bíblia e atualizada. Quem disse que seguir Jesus é fácil?? É necessário renunciar muitas coisas!!

Não vamos à Igreja porque alguém nos obriga... Não rezamos porque temos medo de Deus... Ninguém nos proíbe ou nos condena. A nossa igreja apenas nos orienta, nos mostra o caminho, porque nossa fé é expressão de nossa liberdade! "Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou." (1Jo 2, 6)

Paz e bem! E sede Santos!!!



terça-feira, 13 de outubro de 2009

O PECADO



Podemos entender o pecado de várias formas, mas todos sabemos que o Pecado é a doença da Alma. São Tomás de Aquino, na Exposição do Credo, diz que há duas mortes: a primeira é a do corpo, física, quando a alma se separa dele; a segunda é a da alma, espiritual, quando esta se separa de Deus. A pior é a segunda, e tem como causa o pecado. A prática do mal faz parte da experiência humana desde sempre. Nas sociedades primitivas, aparece como transgressão às regras da comunidade, e por esta é castigada; nas sociedades politeístas, aparece como transgressão à ordem do mundo estabelecida pelos deuses, podendo provocar as suas iras. No Antigo Testamento (AT), aparece, sobretudo como violação da Aliança estabelecida por Javé com o seu povo, pelo incumprimento da Lei, levando Deus a deixar o povo à sua triste sorte até que, pelo arrependimento, lhe perdoe e o salve. No Novo Testamento, o conceito de pecado aprofunda-se: ele é desobediência e ofensa a Deus; entrou no mundo pela queda de Adão, tornando o homem sujeito ao poder de Satanás e levando-o à morte; mas a obediência de Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem, enviado pelo Pai num rasgo de misericórdia, salvou-o da situação de perdição pelo sacrifício da cruz.

- O pecado original

A tendência para o mal é sentida, sobretudo por aqueles que se empenham em fazer o bem. A revelação veio projetar luz sobre tal situação, sobretudo com a narrativa da queda dos nossos primeiros pais (Gn 3,1-23). O magistério da Igreja interpreta-a como a sua cedência à tentação demoníaca de confronto com Deus, acarretando a perda da justiça original em que foram criados, com as prerrogativas da imortalidade e da felicidade. Tais tremendas conseqüências refletem-se na humanidade descendente deles, à qual deixaram de poder transmitir o que tinham desgraçadamente perdido. Mas Deus não podia ser vencido pela maldade das suas criaturas. Na sua misericórdia infinita, logo anunciou a salvação (“proto-evangelho”, Gn 1,15). Transformou assim a lamentável queda de Adão na “feliz culpa” (Exultet, do Precónio Pascal), por ter proporcionado a Deus o envio de seu Filho feito Homem a dar a vida em sacrifício de valor infinito, por amor dos homens, operando a sua salvação, e reparando as ofensas e as injúrias cometidas contra Ele pela queda original. (Conf. Catecismo da Igreja Católica [CIC] 385-412).

O Pecado é a transgressão voluntária da Lei de Deus. Pressupõe matéria proibida (ou estimada como tal), advertência e consentimento. Pode cometer-se por ato, omissão, pensamento ou desejo. É ofensa ao amor de Deus, que é infinitamente bom e amável (podendo eventualmente ser também ofensa ao amor do próximo e até de si mesmo, como no caso do suicídio); e é injúria ou lesão do direito de Deus a ser obedecido, tanto mais que Ele só pode querer o nosso bem (podendo também lesar o próximo nos seus direitos). “Se alguém vir seu irmão cometer pecado que não é para morte, orará, e Deus dará a vida àqueles que não pecarem para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que ore. Toda iniqüidade é pecado, e há pecado que não é para morte.” (1 Jo 5.16,17) Na tradição da Igreja, impôs-se a distinção entre pecado mortal (ou grave) e pecado venial (ou leve), distinguindo-se um do outro por natureza e não por simples grau.

Pecados Graves (mortais): São ofensas graves à Deus ou ao próximo. Apagam a caridade no coração do homem; desviam o homem de Deus. Quem morre em pecado grave (mortal) sem arrependimento, merece a morte eterna, conforme o testemunho da Escritura: "Há pecado que leva à morte" (I Jo 5,16b). O pecado mortal pressupõe matéria grave, plena consciência (do ato e da sua gravidade) e propósito deliberado. A matéria grave encontra-se precisada nos dez Mandamentos da Lei de Deus, segundo a resposta de Jesus ao jovem rico: “Não mates, não cometas adultério, não furtes, não levantes falsos testemunhos, não cometas fraudes, honra pai e mãe” (Mc 10,18). A gravidade da matéria depende das circunstâncias concretas, o mesmo se podendo dizer da plena consciência e do total consentimento. O pecado mortal degrada quem o pratica, quebra a amizade com Deus, faz perder a graça santificante e os méritos sobrenaturais adquiridos anteriormente e acarreta a pena eterna. A Igreja nos ensina que não podemos Comungar em pecado mortal sem antes se Confessar.

Pecados Leves (veniais): São ofensas leves a Deus e ao próximo. Embora ofendam a Deus, não destroem a amizade entre Ele e o homem. Quem morre em pecado leve não merece a morte eterna. "Toda iniqüidade é pecado, mas há pecado que não leva à morte" (I Jo 5, 17).O pecado venial não corta a amizade com Deus nem a graça santificante, não acarreta pena eterna, mas pena temporal. O pecado venial cometido por simples fragilidade, sempre que lamentado e combatido, pode mesmo despertar um esforço maior pela santificação própria, mantendo a pessoa na humildade e na paciência; pelo contrário, o pecado venial friamente deliberado enfraquece a caridade e predispõe para o pecado grave (Cf. CIC. 1846-1869). Merecem ainda referência às imperfeições, que se distinguem do pecado leve por serem atos de si bons que se preferem a outros melhores ou são praticados de maneira frouxa.

Pecados Capitais: O papa Gregório Magno no século VI instituiu os sete pecados capitais, que são os princípios que ferem a Deus, a você e ao próximo. Os sete pecados capitais são: Gula: consiste em comer além do necessário e a toda hora; Avareza: é a cobiça de bens materiais e dinheiro; Inveja: desejar atributos, status, posse e habilidades de outra pessoa; Ira: é a junção dos sentimentos de raiva, ódio, rancor que às vezes é incontrolável; Soberba: é caracterizado pela falta de humildade de uma pessoa, alguém que se acha auto-suficiente; Luxúria: apego aos prazeres carnais e bens materiais; Preguiça: aversão a qualquer tipo de trabalho ou esforço físico. Não há registro da enumeração dos sete pecados capitais na Bíblia Sagrada, todavia, esses pecados aparecem no decorrer dos mais de 70 livros. Pecados Capitais na era da globalização: Poluição do ambiente; Pedofilia; Agravamento da injustiça social; Tráfico de droga; Manipulação genética.

- A luta contra o pecado

É obrigação de todo o homem, e particularmente do cristão, lutar contra o pecado e contra tudo o que a ele conduz. Fazem parte dessa incessante luta a fuga das ocasiões, o fortalecimento espiritual pela freqüência dos sacramentos e pela oração, e o recurso aos diversos meios de santificação. Nas atuais condições de vida sociocultural, assumem especial agressividade as fontes do pecado, que tradicionalmente se chamam inimigos do homem: o mundo, o demônio e a carne. ''A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina.'' (1 Cor 1, 18)

O mundo também abriga mentiras, injustiças, rivalidades, violências, que tornam difícil à generalidade das pessoas discernir o que é bem e é mal, e levar uma vida honesta e santa. Caso particular é o dos pecados sociais, a que a Igreja está hoje mais atenta com o conhecimento mais vivo do que se passa pelo mundo em matéria de falsidades, injustiças e violências a que João Paulo II chamou “estruturas de pecado” (Enc. SRS 36, etc.). Todo o pecado pressupõe um agente livre e responsável, pelo que os pecados sociais resultam do somatório de muitas falhas morais dos membros duma determinada sociedade. A luta contra estes pecados faz-se pela purificação da maneira de pensar e viver da própria sociedade, pela projeção nela dos valores do Evangelho. O demônio, sempre atento às circunstâncias da vida dos homens, não descansa na procura dos meios mais subtis de os tentar. É fácil descobrir a sua interferência nos males denunciados pelo magistério, nomeadamente nas linhas dos atentados contra a vida humana, contra a família, contra o destino universal dos bens, contra o sentido de Deus na vida humana… A carne, como expressão da ânsia desordenada do prazer, encontra-se exacerbada na nossa sociedade, muito marcada pelo erotismo e pelo hedonismo no comer, no beber, no gozar a vida. Como no passado, em tempos difíceis, a resposta da Igreja incluirá a mobilização de espíritos carismáticos que dêem o alegre testemunho duma vida ascética muito consagrada ao serviço dos pobres.

- Pecado contra o Espírito Santo

CIC 1864 – “Aquele que blasfemar contra o Espírito Santo não terá remissão para sempre. Pelo contrário, é culpado de um pecado eterno” (Mc 3,29). A misericórdia de Deus não tem limites, mas quem se recusa deliberadamente a acolher a misericórdia de Deus pelo arrependimento, rejeita o perdão de seus pecados e a salvação oferecida pelo Espírito Santo (DeV 46). Semelhante endurecimento pode levar à impenitência final e à perdição eterna.

- O perdão dos pecados

O pecado original, que não é propriamente cometido, mas adquirido, apaga-se pelo Batismo, que perdoa ainda ao catecúmeno os pecados pessoais de que esteja arrependido. O sacramento da Penitência foi instituído para o perdão dos pecados graves aos pecadores arrependidos, embora seja também muito recomendado para o perdão dos pecados veniais. Para o perdão destes e das imperfeições, a Igreja dispõe ainda de outros meios, como o ato penitencial da Missa e a Comunhão sacramental. O ato de contrição perfeito, por motivo de caridade, também pode perdoar qualquer pecado, desde que, no caso de pecado grave, pressuponha o voto de confissão sacramental. Embora o Batismo elimine o pecado original, as suas seqüelas continuam em nós: os sofrimentos, a doença, a morte, a propensão ao pecado.

Os judeus não reconheceram Jesus como o Cristo de Deus, exatamente porque eles esperavam um Messias libertador político. Quando Jesus se apresentou como “Aquele que tira o pecado do mundo”, com o sacrifício de si mesmo, se escandalizaram e o pregaram na cruz como um farsante. Assim como a missão de Cristo foi libertar o homem do pecado, a missão da Igreja, que é o seu Corpo místico, a sua continuação na história, é também a de libertar a humanidade do pecado e levá-la à santificação. Fora disso a Igreja se esvazia e não cumpre a missão dada pelo Senhor.

Jesus, quer dizer, em hebraico, “Deus salva”. Salva dos pecados e da morte. Na Anunciação o Anjo disse a Maria: “... lhe porás o nome de Jesus”. (Lc 1, 31) A José, o mesmo Anjo disse: “Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados”. (Mt 1, 21) A salvação se dá pelo perdão dos pecados; e já que “só Deus pode perdoar os pecados” (Mc 2, 7), Ele enviou o Seu Filho para salvar o seu povo dos seus pecados. A primeira coisa que Jesus fez no dia da sua ressurreição foi enviar os Apóstolos para perdoar os pecados. “Como o Pai me enviou, eu vos envio a vós... Recebei o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos” (Jo 20, 22´23).



Isto mostra que a grande missão de Jesus era, de fato, “tirar o pecado do mundo”, e Ele não teve dúvida de chegar até a morte trágica para isto. Agora, vivo e ressuscitado, vencedor do pecado e da mote, através do ministério da Igreja, dá o perdão a todos os homens. Como é grande e precioso o Sacramento da Confissão, chamado de Reconciliação! Pela absolvição do sacerdote, ministro do Senhor, recebemos o Seu próprio perdão, conquistado na obediência da cruz. Diante de nossos pecados, não adianta se desesperar ou desanimar; a única atitude correta é enfrentá-los com boa disposição interior e com a graça de Deus. São Francisco de Sales, bispo e doutor da Igreja, dizia que não adianta ficar “pisando a própria alma”, depois de ter caído no pecado.

Até mesmo os nossos pecados, aceitos com humildade, podem nos ajudar a crescer espiritualmente.

Juberto Santos

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Falece Dom Estevão Bettencourt



Falece Dom Estevão Bettencourt


Faleceu no dia 14 de abril, no Rio de Janeiro, no mosteiro de São Bento, o monge beneditino, exegeta e teólogo brasileiro, Dom Estevão Bettencourt. O corpo foi velado no local e a Missa de corpo presente às 16 horas. Foi enterrado no dia 15/04 no Mosteiro de São Bento.
1. VIDA

Os elementos biográficos de D. Estêvão Bettencourt são aqui considerados em três etapas: do nascimento ao ingresso no Mosteiro de São Bento (A); do ingresso na Abadia do Rio aos estudos em Roma (B); do retorno de Roma até a presente data (C).
A. Do Nascimento ao Ingresso no Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro

Flávio Tavares Bettencourt nasceu na cidade do Rio de Janeiro aos 16 de setembro de 1919, sendo seus genitores Antônio de Souza Bettencourt e Maria Tavares Bettencourt. Aos 9 de novembro de 1919 recebeu o sacramento do Batismo ministrado pelo Monsenhor Luiz Gonzaga do Carmo na Igreja Nossa Senhora da Glória (Laranjeiras). Fez sua Primeira Comunhão aos 15 de agosto de 1930, na Capela do Colégio de Nossa Senhora de Sion (RJ). Aos 4 anos de idade viajou com os pais para Paris, onde permaneceu até 1928 quando então regressou ao Brasil. Os estudos, iniciados em Paris no Lyceé Buffon prosseguiram no Colégio de São Bento do Rio de Janeiro, onde, de 1931 a 1935, fez o curso ginasial. Foi através do convívio diário com os monges - sobretudo com D. Pedro Candiota, D. Vicente Ribeiro e D. Tarcísio Silva Ferreira - que Flávio Bettencourt chegou a conhecer a vida monástica. Esses monges tiveram papel preponderante no crescimento de sua vida espiritual e na descoberta de sua vocação beneditina. Tendo já concluído o curso ginasial, ingressou no Mosteiro de São Bento a 1 de fevereiro de 1936.
B. Do Ingresso na Abadia do Rio aos Estudos em Roma

Decorridos sete meses de sua entrada, recebeu aos 6 de outubro de 1936 o hábito de noviço das mãos do Abade D. Tomás Keller e, em razão de sua devoção aos mártires da Igreja primitiva, teve como padroeiro onomástico o protomártir S. Estêvão. Emitiu seus primeiros votos monásticos a 7 de outubro de 1937 na sala capitular do Mosteiro; sua profissão temporária foi recebida pelo Prior D. Bento Martins. Desde a mocidade quer durante o curso ginasial no Colégio de São Bento, quer no período de seu noviciado, foi D. Estêvão um apaixonado pelos estudos. Ele é a figura típica do homem plenamente dedicado ao estudo. Imbuído do conhecimento do grego, do latim, do francês, do inglês e do alemão, ele foi mandado por D. Tomás Keller para Roma a fim de doutorar-se em Filosofia no Pontifício Ateneu de Santo Anselmo, onde permaneceu de novembro de 193 a janeiro de 1945. Chegou no Colégio de S. Anselmo a 1 de novembro de 193, iniciando logo o curso de Filosofia. Em julho de 1939 recebeu o grau de bacharel e, em seguida, presta exame de Licenciatura (De universa) aos 18 de maio de 1940.Pouco antes de iniciar o curso de Teologia, fez sua profissão solene em Monte Cassino aos 7 de novembro de 1940, nas mãos do Abade D. Gregório IX Diamare. Recebeu o diaconato aos 12 de julho de 1942, conferido pelo Arcebispo D. Aloísio Tráglia, na Basílica de Santo Antonio de Pádua, em Roma. A ordenação presbiteral realizou-se na igreja de S. Agnese na Piazza Navona aos 18 de julho de 1943, ministrada pelo mesmo Arcebispo que o fez diácono.Importante foi o seu contato com o monge beneditino D. Anselmo Stolz. Percebendo em D. Estêvão Bettencourt uma inteligência lúcida e profunda bem como sua formação monástica-espiritual, procurou com habilidade convencê-lo a fazer o doutorado em Teologia. Não obtendo êxito, resolveu escrever uma carta a D. Tomás Keller solicitando gentilmente que seu aluno D. Estêvão Bettencourt tivesse a permissão de doutorar-se em Teologia Dogmática. O pedido foi prontamente acolhido pelo Abade do Rio1.Assim, depois de ter iniciado o curso de Teologia em 1940, recebe o grau de bacharelado em 1942 e presta o exame de Licenciatura em julho de 1943. Em novembro de 1944 defende a tese de doutorado sobre Orígenes2, tendo como moderador D. A. Stolz. Em outubro de 1944 matriculou-se no Pontifício Instituto Bíblico de Roma para cursar algumas matérias, pois ele antecipara a redação e a defesa de sua tese de doutorado. Aos 21 de janeiro de 1945 apresentou-se a oportunidade rara de voltar ao Brasil devido à II Guerra Mundial.

C. Retorno de Roma

Aos 2 de fevereiro de 1945 chegou ao Rio. No Mosteiro realizou um Seminário sobre a Sabedoria Hipostática no Antigo Testamento sob a orientação do Abade D. Tomás Keller, a fim de completar os créditos necessários com a autorização do Pe. Reitor do Colégio de S. Anselmo. Iniciou-se então uma nova fase de sua vida, marcada sobretudo por uma intensa atividade no campo teológico, sempre associada à contemplação e ao ritmo do "ora et labora" de S. Bento. Assim podemos destacar três aspectos desse labor eclesial:

a) O ensino das ciências bíblicas e da teologiaDesde o ano letivo de 1945, D. Estêvão assumiu a cátedra bíblica na Casa de Estudos da Congregação que funcionava no interior da Abadia do Rio de Janeiro e que, como Escola Teológica da Congregação Beneditina do Brasil, passou a funcionar em sede própria no Mosteiro. Ao longo dos anos foi professor também de diversas disciplinas filosóficas e teológicas em várias Universidades e Institutos do Riop de Janeiro: na Universidade Santa Úrsula (de 1946 a 1980), na Pontifícia Universidade Católica (de 1958 a 1961 e de 1968 a 1974), na Universidade Católica de Petrópolis (de 1968 a 1978), no Instituto Superior de Teologia da Arquidiocese do Rio de Janeiro (desde 1985), na Escola Superior de Catequese "Mater Ecclesiae", na Escola "Luz e Vida" de Catequese, no Instituto Pio X do Rio de Janeiro (1957 e 1958).


b) Participação em cursos, simpósios e congressosAlém das aulas regulares durante os semestres acadêmicos, D. Estêvão Bettencourt participou de várias Semanas Bíblicas Nacionais promovidas desde 1947 pela Liga de Estudos Bíblicos (LEB) do Brasil3, bem como nas Semanas Teológicas organizadas pelo "Studium Theologicum" de Petrópolis. Na qualidade de representante da LEB, tomou parte na XX Semana Bíblica Italiana realizada no Instituto Bíblico de Roma de 23 a 28 de setembro de 1968. Foi também conferencista e debatedor nas quatro Semanas Internacionais de Filosofia, realizadas respectivamente em São Paulo (1972), Petrópolis (1974), Salvador (1976) e Curitiba (1978). Representou a Arquidiocese do Rio de Janeiro no IV Congresso Eucarístico Internacional realizado em Melbourne (Austrália) em 1973. Ainda nesse mesmo ano foi para Jerusalém aperfeiçoar-se em arqueologia bíblica na Escola Bíblica Franciscana e em exegese bíblica na Escola Bíblica dos Dominicanos. De 23 a 25 de junho de 1976 participou do I Seminário de Integração "Sistemas de Ensino-Comunidade do Estado do Rio de Janeiro" como representante da Universidade Santa Úrsula. Entre suas participações mais recentes em encontros internacionais, destacamos, por fim, o Congresso de Teologia realizado em Caracas (Venezuela) de 14 a 17 de fevereiro de 1988, onde apresentou a conferência intitulada "Jesus Histórico"4.


c) Outras atividadesEntre outras atividades importantes, salientamos as seguintes: Diretor do Instituto de Teologia da Associação Universitária Santa Úrsula em 195; Decano do Centro de Teologia, Filosofia e Ciências Sociais em 196 e 197; Vice-Reitor da Faculdade Eclesiástica de Filosofia João Paulo II desde 1981; Membro dos Conselhos Universitários e de Ensino e Pesquisa de 1976 a 1980; Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Filósofos Católicos desde 1974; Vice-Presidente da LEB de 1964 a 1967 e de 1975 a 1977; Consultor da Comissão Episcopal de Doutrinas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil; Membro da Comissão de Diálogo Judeo-Cristão da CNBB; Diretor Executivo das Escolas "Mater Ecclesiae" do Rio de Janeiro. Assinalamos, por fim, que desde 1982 é secretário da Instituição Communio e redator-chefe da revista homônima no Brasil, participando anualmente dos encontros internacionais organizados pela entidade.


2. A OBRA EXEGÉTICO-TEOLÓGICA


Tínhamos originariamente a esperança de que este festschrift incluísse uma bibliografia completa de tudo quanto D. Estêvão Bettencourt escreveu ao longo de 44 anos de cátedra. Esta empresa não foi possível porque ultrapassaria os limites deste [escrito]. Por essa razão decidimos elencar aqui todos os seus livros e artigos mais significativos, bem como seus cursos por correspondência e suas traduções. Não fazem parte deste levantamento suas recensões, suas cartas e seus artigos publicados nas revistas Pergunte e Responderemos5 (a não ser quando este período reproduza comunicações feitas em Congressos) e Em Comunhão6. Antes, porém, de enumerar seus escritos, convém ressaltar alguns aspectos de sua obra exegético-teológica:


O primeiro aspecto a destacar em toda obra de D. Estêvão Bettencourt é essencialmente este: fidelidade plena ao Evangelho tal como é professado pelo Magistério da Igreja. Em seus livros recorre sempre ao dado bíblico, aos Santos Padres e às diretrizes emanadas da Santa Sé, sem negligenciar as conquistas do método histórico-crítico (formgeschichte) aplicado à Bíblia. Suas obras sobre o Antigo e o Novo Testamento trouxeram imensos progressos para o Movimento Bíblico no Brasil7, de tal modo que foram leitura obrigatória para todos intelectuais católicos e teólogos brasileiros que se interessavam pelo estudo sério da Bíblia. Como estudioso e homem da Igreja, procura transmitir e explicar o depósito comum da fé. Todo seu labor teológico é plenamente um serviço eclesial. Na revista Pergunte e Responderemos nota-se não somente a preocupação de anunciar as verdades que pertencem à essência da fé católica, mas também o empenho pastoral em enfatizar que a Bíblia é a Palavra de Deus para o Povo de Deus. Além de apresentar o pensamento autêntico da Igreja em relação aos diversos ramos do saber (exegese, teologia, filosofia, antropologia, etc.), Pergunte e Responderemos aclara também as verdades fundamentais da fé quando estas são impugnadas por qualquer tipo de publicação. Até hoje esta revista continua a trazer informações atualizadas sobre questões bíblicas.


O segundo aspecto é o seu modo de fazer teologia sempre a partir de sua vivência espiritual. Ele realizou uma integração entre exegese científica e exegese espiritual, entre crítica e investigação teológica. Longe de se contentar com o estudo de aspectos secundários dos textos bíblicos, ele valoriza a mensagem que eles contêm: mensagem principal, que é uma mensagem religiosa, um apelo à conversão e uma boa nova de salvação capaz de transformar os homens, introduzindo-os na comunhão divina. Seu interesse pela significação teológica e religiosa da Bíblia se deve ao fato de que a Palavra de Deus é portadora de valores permanentes (conversão, fé, reconciliação). Sempre procura projetar em seus leitores que a Igreja de ontem e de hoje, com suas normas e ritos, é a expressão da iniciativa salvífica de Deus e o lugar privilegiado do encontro com Cristo e com o Pai. Ao mesmo tempo em que conduz os fiéis a um compromisso sério com a Igreja, D. Estêvão Bettencourt lhes incute também a esperança de uma vida póstuma que o anima continuamente em sua vivência de amor e doação a Deus, à Igreja e ao mundo.


Autor: D. Bento Silva Santos, OSBFonte: Coletânea Tomo I: Homenagem a D. Estêvão Bettencourt, OSB (Edições Lumen Christi, 1990, pp. 1-11


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Alegria de ser discípulo

O Documento de Aparecida, fruto magnífico da V Conferência Geral dos Bispos da América Latina e do Caribe, maio de 2007, horizonte inspirador que a Igreja Católica redesenha para sua missão evangelizadora, tem sua abertura marcada com um convite com força de convocação. Este convite com força convocação se faz com a indicação da importância da alegria de ser discípulo. Esta é uma indicação que se localiza na contra- mão do entendimento vigente na sociedade contemporânea quando se trata de conquistar esta demanda e meta do coração humano, a alegria. Existe, na dinâmica da cultura contemporânea, com suas nuances próprias, um devaneio ilusório de que a alegria desejada e buscada se consegue na medida em que se conquista o lugar de mestre e não de discípulo. Sob a égide de ser mestre, isto é, melhor em tudo e do que todos, detentor de todo saber e poder, se articulam grandes defeitos da convivência humana e da eleição das prioridades, comprometendo a ordem social, política e relacional.
Esta dinâmica empurra os corações numa busca da alegria a todo custo. Um sacrifício enorme é imposto à condição humana. Um horror que não leva à conquista desta alegria que um discípulo pode ter. Como é impressionante constatar o alto nível de insatisfação das pessoas, projetando as lacunas de sua interioridade nas avaliações da realidade e a respeito dos outros. Uma insatisfação que incomoda e joga a pessoa numa busca desarticulada desta alegria. É uma loucura a ligação da busca da alegria com o instigante das estatísticas e dos números a serem conquistados. Terrível é a incapacidade de lidar com as expectativas frustradas ou a dificuldade de acompanhar processos na paciência indispensável de esperar desdobramentos e configurações para se atingir metas importantes.

Na verdade, é a busca da alegria por caminhos, métodos e modalidades que estão acionados pelas características deste terceiro milênio, como a rapidez, agilidade, multiplicidade, revelando inconsistências na interioridade das pessoas. Entre os jovens, vê-se o risco da desarticulação e da tendência a encontrar esta alegria a qualquer preço e até de qualquer maneira, com os riscos de escolhas comprometidas como é a dependência química e o desvario da permissividade sexual. Entre os mais vividos o risco do desânimo e do cansaço, até da desistência jogando a culpa nos outros e nos funcionamentos institucionais que não correspondem ajustadamente às próprias expectativas e necessidades. Um desafio para os mais velhos, fazendo brotar a amargura da lamentação e a sensação de tempo perdido ou do sentimento de desconsideração advindo da necessidade de um permanente reconhecimento pelos feitos; ou aquele risco da doce ilusão que faz pensar que o tempo bom, certo, das coisas adequadas é um tempo que já passou.

É fácil supor o peso de um clima assim sobre os ombros das crianças que na sua inocência vivem a vida, apontando, no entanto, que existe mesmo uma verdadeira alegria para o coração. É preciso buscá-la e encharcar a vida com esta alegria. Esta alegria tem uma fonte e é possível de conquistá-la. O Documento de Aparecida indica, esta é a alegria do discípulo. “A alegria do discípulo é antídoto frente a um mundo atemorizado pelo futuro e oprimido pela violência e pelo ódio. A alegria do discípulo não é um sentimento de bem-estar egoísta, mas uma certeza que brota da fé, que serena o coração e capacita para anunciar a boa-nova do amor de Deus”. A condição de discípulo de Jesus Cristo é o caminho-fonte para esta experiência de conquistar e experimentar a alegria. Esta alegria não é gerada e contabilizada em números e funcionamentos, simplesmente. Suas raízes são mais profundas. Buscá-las é a garantia de experimentar esta alegria duradoura, uma resposta que qualifica o discípulo forte e lutador no seu trabalho, enfrentando problemas, perseverante nas lutas, sereno mesmo nos sofrimentos e perseguições. Esta alegria brota nos corações pela experiência e pela iluminação única que vem da consciência alegre do encontro com Cristo.

É oportuno ter presente o que disse o Papa Bento XVI no Discurso Inaugural da Conferência de Aparecida: “Se não conhecemos a Deus em Cristo e com Cristo, toda a realidade se torna um enigma indecifrável; não há caminho e, não havendo caminho, não há vida e nem verdade.” Cultivar este encontro, pessoal e comunitário com Cristo, o Filho de Deus, encarnado e redentor, é, na verdade, o caminho da alegria verdadeira e duradoura. Esta alegria não se encontra simplesmente nisso ou naquilo, aqui e acolá. Mas, em Jesus Cristo. Esta consciência deve fecundar os afetos dos que n’Ele crêem, com práticas e exercitações diárias, conhecendo e encantados com o tesouro do Evangelho, alimentando e testemunhando a convicção honrosa: “Ser cristão não é uma carga, mas um dom”!

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, 53, arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte (BH)

Fonte: www.cnbb.org.br


segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Discípulos e Missionários, em defesa da vida.

O mês de fevereiro, este ano, introduz a Igreja na Quaresma com a cerimônia das Cinzas ja no dia 6. O convite - repetido individualmente a cada fiel que se coloca na fila dos que desejam acompanhar o caminho de Jesus para a Páscoa - é "Convertei-vos e crede no evangelho".
A proposta específica deste "tempo favorável" é a conversão buscada e acolhida na penitência, na oração, na reflexão, morte e ressurreição. O profetas voltam para apresentar exortações pertinentes aos que, incluídos no mistério da salvação pelo batismo, desejam aprofundar a novidade que Cristo trouxe ao mundo pela oferta da sua vida. Na liturgia da palavras, especialmente aos domingos, vamos deparar com textos do evangelho que nos recordarão que somos homens e mulhres renascidos no batismo e configurandos com Cristo.
Coincidindo com o tempo da Quaresma, a Igreja no Brasil propõe a Campanha da Fraternidade. Este ano o tema em foco é a vida - Fraternidade e defesa da vida -, com o seguinte objetivo geral: "levar a Igreja e a sociedade a defender e promover a vida humana, desde a sua concepção até a sua morte natural, compreendida como dom de Deus e co-responsabilidade de todos, na busca de sua plenificação a partir da beleza e do sentido da vida em todas as circuntâncias e do compromisso ético do amor fraterno".
A Igreja está em estado de missão. O convite feito pelo documento de Aparecida é o de "abraçar todo o continente para transmitir-lhe o amor de Deus e nosso", desejando que "este abraço possa alcançar o mundo inteiro". O entusiasmo com que o continente latino-americano, especialmente o Brasil, recebeu as conclusões da V Conferência Geral enseja como que um "novo pentecostes" que impulsina a todos a ir em busca dos que pouco conhecem e amam Jesus Cristo, para formar com alegria a comunidade de amor do nosso Deus e Pai. A missão deve, pois, atingir a todos de forma permanente e profunda.
A Quaresma é tempo oportuno para, entrando mais uma vez na escola de Jesus, formar discípulos e missionários. Homens e mulheres que avancem com esperança na construção de comunidades marcadas pela força do Espírito e iluminadas pela luz do evangelho.
Que todos, nos seguimento do salvador Jesus, nos demos as mãos para fazê-lo mais conhecido e mais amado - sendo sempre fiéis defensores da vida.

Dom Geraldo Majella Agnelo, Cardeal Arcebispo de Salvador-Ba.
Fonte: Liturgia Diária
Editora: Paulinas