sábado, 2 de outubro de 2010

A VIDA DE JESUS

“ Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância. ”  (Jo 10, 10).


Jesus é o único que realiza plenamente o ideal de ser imagem de Deus. Ele é a imagem de Deus perfeita de Deus por ser seu Filho igual ao Pai, igual a Deus ( Fl 2, 6 ). O homem, então, na tarefa de se realizar como tal, de ser plenamente homem, à imagem e semelhança de Deus (Cl 3, 9-10) tem de seguir Jesus (Rm 8, 2-9), tem de entrar na dinâmica de sua vida, encarar em atitudes e vivências de hoje (inspirado pelo Espírito Santo) o que foi a vida toda de Jesus: “ Deixo o exemplo para que façam o mesmo que fiz.” (Jo 13, 15). Podemos resumir a vida de Jesus em duas palavras: PAI e a FORMULA DO REINO DE DEUS.
Ele viveu no mundo, isto significa que este não constitui nenhum obstáculo na caminhada para Deus. O segredo está em não se contaminar com as coisas do mundo (Jo 16, 33). Ao viver as tentações da caminhada, Ele nos dá o exemplo de que não precisamos fazer parte das coisas ou situações que não edificam a Deus. Jesus tem uma missão: a de ser fiel ao Pai. “DEUS ACIMA DE TUDO”. E a missão de Jesus é a nossa. As fidelidades de Jesus têm de ser as nossas, as tentações também (Mt 4, 1-11). A realização de Jesus também é nossa!
Nossa relação de Jesus com Deus, Jesus refere-se a Deus como a um Pai. O Pai é o centro da vida de Cristo. Sente-se querido por ele, e, portanto, com uma confiança sem limites. (Mc 14, 36) (Jo 5, 20). Jesus faz do AMOR a norma de sua vida. A marca de Cristo* era fazer o bem aos outros, sobretudo aos mais necessitados; anunciar a felicidade de Deus aos pobres, de modo que já o sintam aqui neste mundo. Jesus acolhe o mundo em seus braços; os pecadores com os quais partilha o alimento (Lc 15, 2); ajuda a senhora que andava toda curvada (Lc 13, 10-17) e as crianças (Mc 10, 13-16); o cego que estava mendigando na beira do caminho (Mc 10, 46-52), etc.
Jesus solidariza-se com todos os oprimidos: os estrangeiros, o povo humilde, os marginalizados, os pecadores, as mulheres, os doentes, as crianças. O seu coração está com eles, os ajuda e os defende. (Mc 2, 17) (Lc 19, 10). Jesus não teme as conseqüências de sua solidariedade. Mas é por esta solidariedade que o matam. O Deus deles é o da Lei, o da Tradição, o do Templo, o do Poder, o da Dominação. E Jesus lhes apresenta Deus como Pai de todos os homens, especialmente dos ingratos, maus e dos que estão perdidos em maus caminhos, dos pobres, e dos desgraçados.
Ninguém é excluído do anúncio do Evangelho e da preocupação da Igreja, sob a condição de que saiba ser solidário com a vida.

 
* CRISTO – Adjetivo grego que significa “Ungido de Deus” / “Messias”.


 
PARA REFLETIR

1. Como deve ser a minha vida?
2. Como deve ser o meu relacionamento?
3. Como saberei qual o plano específico de Deus para mim?
4. O que Deus quer de mim nesta vida?
5. Onde está a minha felicidade?
6. Como ser feliz?
7. Que atitudes corresponderão em profundidade à realização do mais íntimo em meu ser?





A MENSAGEM DE JESUS

“Este é o Profeta Jesus, o de Nazaré da Galiléia”. (Jo 12, 49-50)


O “Profeta” era, para os Judeus, o homem que proclamava a palavra de Deus e foi isso que Jesus fez (Hb 1, 1) (Jo 8, 40). Jesus é o melhor e o maior Mestre das coisas de Deus. É ele quem mais sabe destas coisas, porque vem da parte de Deus (Jo 5, 43; 12, 49-50). Ele não se limita em seu ensinamento, a repetir e a explicar os textos sagrados do Antigo Testamento, pois não basta combater as conseqüências, se primeiro não se elimina as causas (Mt 5, 22). Ele veio para instituir um novo ensinamento aprimorado aos Mandamentos do Antigo Testamento.

Os apóstolos, depois de haver convivido com Cristo, depois de havê-lo ouvido, havê-lo visto agir, depois de sua morte e ressurreição, entenderam a mensagem da Boa Nova quem foi Jesus e toda a sua vida: Que Deus é fiel a seu amor aos homens na vida e além da morte. A grande revelação que Deus nos faz, a grande mensagem de Jesus é que Deus nos ama! (Jo 3, 16-17). Que Deus é nosso Pai Responsável e Bom, que nos ama com carinho e preocupação de um verdadeiro Pai (Jo 20, 17) (Mt 23, 9; 5, 48). Que todos vós sois irmãos (Mt 23, 8).

Ele nos repete de diversas formas, que o amor a Deus coincide e identifica-se com o amor ao próximo (Mt 22, 37-40) e que são inseparáveis (1 Jo 4, 20-21). O que se faz ao próximo (e ao próximo mais humilde e necessitado) é como se fosse feito ao próprio Jesus (Mt 18, 5; 25, 40). E o que se faz a Jesus é como se fosse feito ao Pai: “Quem não honra o filho, não honra o Pai que lhe enviou.” (Jo 5, 23).

Deus está perto de nós. Deus se fez homem. É Cristo Nosso Senhor. Se quisermos encontrar a Cristo, teremos de procurá-lo onde está, sobretudo entre os que necessitam de nossa ajuda (Mt 25, 40-45).

A Causa a qual Jesus deu a Vida

 A mensagem central de sua pregação e de toda a sua vida é o Reino de Deus. (Mc 1, 15)
 Envia o grupo de Discípulos e amigos que reuniu (Mt 10, 8)
 Depois da Ressurreição, o tema chave de sua conversa, de suas instruções é (At 1, 3):
 O Reino de Deus divide-se em homens “filhos do Reino” e “Filhos do mal”;
 O homem em de vender tudo o que tem (Mt 13, 4), deixar tudo (Lc 18, 28), tornar-se eunuco (Mt 19, 12), tudo pelo Reino;
 O Reino e a sua Justiça é o que se deve procurar em primeiro lugar (Mt 6, 33)
O REINO DE DEUS É “GRAÇA”, DOM QUE DEUS OFERECE AO HOMEM...
O Reino de Deus é definitivamente a comunhão dos homens com Deus e dos homens entre si, que se inicia aqui na terra que, com Jesus Cristo, “levará todos os homens, transformados em filhos de Deus pela eficácia do Espírito, a um domínio do mundo cada dia mais perfeito, a uma comunhão entre irmãos cada dia mais realizada, à plenitude da comunhão e participação que constituem a própria vida de Deus”. (Puebla 197, 219).

A Morte e Ressurreição de Jesus

Jesus não morreu num acidente, nem de doença, tampouco de velhice. Mataram Jesus, torturando-o antes (Lc 22, 63; Mc 15, 15-27) e pregando-o numa cruz (Mt 27, 35; Mc 15, 25; Lc 23, 33; Jo 19, 18). Assassinaram-no.

Mas o que entendemos por cruz??

A Cruz era constituída por uma haste vertical de aproximadamente 3 metros e meio de comprimento, denominada “estipe”, que ficava cravado 1 metro de profundidade no local da crucificação, e um pau horizontal chamado “patíbulo”, que era transportado pelo condenado. No lugar determinado para a crucificação, colocavam o "patíbulo" no chão e deitavam o réu sobre ele, fixando os seus pulsos com cravos de ferro. A seguir, com forquilhas de madeira, levantavam o "patíbulo" com o crucificado e enganchavam na parte superior do "estipe" formando um "táu" (T). As duas peças eram unidas com cravos de ferro. A seguir, fixavam os pés do condenado no "estipe", colocando um sobre o outro e ambos eram atravessados por um único cravo de ferro. – “Este, depois de entregue, conforme o desígnio imutável e a previsão de Deus, matastes, cravando-O na cruz, pela mão de gente perversa” (At.2,23).

A vida de Jesus foi autêntica, real, quando comia, dormia, caminhava, falava, amava... Também o foi quando morreu. Sua morte foi plenamente humana, A morte não perdoou nada a Jesus (basta lermos os Evangelhos). Jesus foi morto por homens concretos (Mt 27, 20), observantes fiéis da Lei da região, guardiões da ordem, encerrados em um sistema de valores intocável e inquestionável. “A incredulidade de seus parentes” “e a incompreensão de seus discípulos” deixaram Jesus abandonado diante da morte. (Concílio de Puebla) A paixão, morte, ressurreição e ascensão de Cristo, constituem o Mistério Pascal, ou Mistério da Páscoa. “O Mistério Pascal da Cruz e Ressurreição de Cristo está no centro da Boa Nova que os Apóstolos, e depois deles a Igreja, devem anunciar ao mundo. O desígnio salvífico de Deus cumpriu-se «uma vez por todas»(He.9,26) pela morte redentora de seu Filho Jesus Cristo”.(CIC nº 571). O acontecimento celebrado na Páscoa Judaica, isto é, a libertação do povo israelita da escravidão do Egito, é a antecipação da completa libertação conquistada por Cristo para a raça humana. Assim, o Mistério Pascal é o Mistério central da fé Cristã, celebrado no Tríduo da Páscoa com uma solenidade única e sublime. Foi deste Mistério que nasceu a Igreja e, com ela, a vida sacramental.

Muitas atitudes e palavras de Jesus foram «sinal de contradição»(Lc. 2,34) para as autoridades religiosas de Jerusalém, porque, aparentemente, segundo eles, Jesus procedia contra as instituições essenciais do povo eleito. Mas Jesus não aboliu a Lei do Sinal, mas cumpriu-a com tal perfeição que resgatou as transgressões cometidas contra ela. Jesus, o Messias de Israel, fazia questão de cumprir a Lei, executando-a integralmente até nos menores preceitos, porque, segundo Jesus afirmou, Ele não vinha para revogar a Lei, mas para a aperfeiçoar. Jesus praticou atos que O manifestaram como sendo o próprio Deus Salvador e isso, para alguns, em vez de ser uma prova do poder e autoridade de Jesus, foi antes pretexto de blasfêmia, porque o acusavam de «um homem que se fazia Deus»(Jo.10,33). Mas, por fim, Jesus provou eloqüentemente toda a magnitude do seu Mistério Pascal, quando, depois de ter morrido pelos pecados de toda a humanidade, pelo seu próprio poder Ressuscitou, dando-nos a possibilidade da nossa regeneração, e essa foi, para as autoridades do seu tempo, a grande pedra de escândalo.

Por proclamar, com palavras e ações, o Reinado de Deus, ele foi julgado e condenado. É o reinado que prestigia os pobres, os pecadores, os enfermos, sobrepondo-os ao “sábado”, à Lei, ao lugar privilegiado do Templo e da classe sacerdotal dentro da sociedade judaica, aos poderosos (Mc 11, 15-19; 12, 38-44). A morte de Jesus foi sendo preparada ao longo de toda a sua vida. E Jesus preferiu morrer livremente a renunciar à verdade, a justiça, ao ideal da fraternidade universal que derramava o amor sobre todos, ainda que pecadores, inimigos; amor que privilegiava os pobres. Era o enviado do Pai misericordioso, seu Filho, e não o aceitaram como tal. Aquele mundo não pôde suportar Jesus: O mundo do Fanatismo Religioso (Mc 2, 27), do poder (Jo 11, 47-48), da ambição (Mt 23, 6-7), da violência (Mc 15, 7), da hipocrisia (Lc 11, 46)... Sua morte foi, assim, um assassinato religioso-político, por abuso da justiça. Foi condenado como subversivo, mas Jesus não seguiu o caminho do ódio ou da violência, mas o da doação e sacrificada do amor. Ao ser preso, diz a Pedro que abaixasse sua espada, pois esse tipo de atitude era errado: Jesus, no entanto, lhe disse: Embainha tua espada, porque todos aqueles que usarem da espada, pela espada morrerão. (Mt 26, 52).

Diz também que poderia ter uma legião de anjos para lhe proteger (Mt 26, 53), mas não o fez. Jesus ofereceu-se livremente pela nossa salvação. Este dom, ele o significa e o realiza por antecipação durante a Última Ceia: “Isto é o meu corpo que será entregue por vós” (Lc 22, 19). Jesus foi humilhado, ridicularizado, esbofeteado, torturado, linchado pelas ruas até o local da crucificação; teve suas mãos e pés furados por pregos, teve sede, e, do alto da cruz, com a certeza de que o amor, expresso no perdão aos que o condenaram e executaram, poderiam muito mais do que a vulgaridade do mal: “Pai, perdoai-lhes: eles não sabem o que fazem” (Lc 23, 33) Jesus morre, ontem e hoje, nas mãos dos que não querem nem um Deus próximo nem um mundo partilhado; nas mãos dos que afastaram Deus, absolutizando ritos, tradições e leis que rejeitam a Boa Nova. A sua morte é redentora (Rm 4, 24); é sinal de amor do Pai aos homens, que livremente (Jo 10, 18) e se fez Cordeiro de Deus para tirar o pecado do mundo (Rm 5, 6-11). A morte de Cristo é a máxima expressão de solidariedade com o homem: até o fim... Até a morte (Jo 13, 1; 15, 13) “Cristo morreu pelos nossos pecados segundo as escrituras”. (1 Cor 15, 3)

... Mas a cruz não foi o fim...

Jesus Cristo desceu aos infernos e ressuscitou dos mortos no terceiro dia. “Jesus desceu às profundezas da terra. Aquele que desceu é também aquele que subiu”. (Ef 4, 9-10) Antes de ressuscitar, ele ficou na morada dos mortos e foi para lá como o Salvador, proclamando a Boa Notícia aos espíritos que ali estavam aprisionados (CIC nº 632-633). Essa morada foi denominada pelas escrituras como infernos e significa que era o local onde os justos aguardavam a libertação, aqueles que o haviam precedido – “A Boa Nova foi igualmente anunciada aos mortos” (1Pd 4, 6). Assim se cumpria a última fase da missão messiânica de Jesus, que, pela sua morte, por nós, venceu o Diabo, o dominador da morte (Hb 2, 14). Cristo não foi vencido pela morte; ao contrário, venceu-a. Assim, pela sua morte, ele venceu a morte, aos mortos deu a vida.

Ao terceiro dia, Jesus ressuscita dos mortos (Lc 24, 5-6). A Ressurreição de Jesus é verdadeiramente o maior dos alicerces da nossa fé em Cristo, estabelecida com os documentos do Novo Testamento, juntamente com a cruz pregada como parte essencial do mistério pascal. O túmulo vazio não constitui para todos um sinal essencial da ressurreição de Jesus. A sua descoberta pelos discípulos foi o primeiro passo rumo ao reconhecimento do fato da ressurreição (Lc 24, 5-6). As aparições do Ressuscitado às mulheres (Mc 16, 1; Lc 24, 1), aos apóstolos e discípulos (Lc 24, 9-10), tudo isso é para confirmar a fé de todos em Jesus; tornam-se, assim, as testemunhas do ressuscitado.

A Ressurreição de Cristo é diferente das ressurreições que ele operou em algumas pessoas (filha de Jairo, jovem de Naim e Lázaro). É essencialmente diferente. Em seu corpo ressuscitado, ele passa de um estado de morte para uma outra vida, para além do tempo e do espaço. Na ressurreição, o corpo de Jesus é repleto de poder do Espírito Santo; participando da vida divina no estado da sua Glória, de modo que Paulo pode chamar a Cristo de “o homem celeste” (1 Cor 15, 35-50) A ressurreição é objeto de Fé enquanto intervenção transcendente do próprio Deus na criação da história. Nela, as três pessoas divinas agem ao mesmo tempo, juntas e manifestam sua originalidade própria. O mistério pascal, isto é, a morte e ressurreição de Cristo, é o fato fundamental do Cristianismo. Dele depende toda a nossa Fé (1 Cor 15, 14-17), a Nova Páscoa é o começo da “vida do novo povo de Deus. Para nós, cristãos, é o centro de tudo, porque se ele em verdade ressuscitou, então nós o seguiremos e “em Cristo, todos receberão a vida” (1Cor 15, 22) Jesus come com seus discípulos e demonstra que era ele mesmo (Lc 24, 41-43) (Jô 21, 12)

A Ressurreição aconteceu pelo poder do Pai, que ressuscitou Cristo, seu filho, e desta forma introduziu de modo perfeito a sua humanidade – com o seu corpo – na Trindade. É a prova mais forte de sua divindade, é o argumento mais convincente de que a sua doutrina e a sua obra são divinas. Tudo o que Ele disse e o que Ele fez, pela Ressurreição dos mortos recebeu a sua afirmação final. E Jesus, pelo seu poder de Deus, sobe aos céus de corpo e alma (ascensão).

“Todo o poder me foi dado no céu e na terra; ide, pois, anunciai o Evangelho a todos os povos, batizando-os, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, eu estarei sempre convosco, até o fim do mundo” (Mt 28, 18-20)





O LIVRO DE JONAS

Bem, pensando em aprofundar o estudo em livros do Antigo Testamento, observemos atentamente o lovro de Jonas.
  
Para ter uma idéia sobre a época em que esse livro foi escrito, alguns aspectos devem ser considerados. Segundo os biblistas o livro de Jonas contém expressões em aramaico, idioma oficial dos judeus durante o domínio Persa (538-333 a.C.), mas que não era conhecido por eles antes do Exílio da Babilônia (587-538 a.C.). Portanto, devido aos estudos, o livro deve ser posterior ao século VI a.C. O profeta Jonas, filho de Amitai, é contemporâneo do reinado de Jeroboão II, que reinou em Israel no século VIII a.C. Afirmar que o livro de Jonas foi escrito por ele seria algo semelhante a dizer que um dos modernos escritores brasileiros teria vivido no tempo de Dom João VI. O hebraico sofreu modificações ao longo da história, como acontece a qualquer idioma.
 
Os judeus que retornaram do exílio, estavam convencidos de que haviam sofrido o exílio por causa da sua infidelidade a Deus. Como resultado, adotaram uma atitude de EXCLUSIVIDADE e rigorosa observância da Lei. Evitavam tudo que pudesse afastá-los de Deus, tal como costumes estrangeiros e até mulheres estrangeiras.
  • CONFRONTO ENTRE JONAS E O SENHO 
JONAS - 2Rs 14,25 - foi profeta no tempo de Jeroboão II (reinou em Israel - norte - 783-743 a.E.C.)
 
O autor usa um recurso literário chamado de pseudonímia. Ele não está interessado em destacar a autoria do livro, nem em focalizar sua identidade. Isso era muito comum naquela cultura. Os autores dos livros bíblicos geralmente não assinam suas obras porque acreditam que estão apenas representando a fé e a experiência de um povo do qual são membros, ou seja, eles não falam em nome próprio e com seus escritos querem apenas trazer os filhos de Israel de volta para a aliança firmada com Deus.
 
O autor do livro permanece anônimo e usa como pseudônimo o antigo profeta Jonas, filho de Amitai, porque esse recurso o ajuda a divulgar melhor sua mensagem. Não sabemos quem escreveu o livro de Jonas, mas podemos fazer um perfil de sua personalidade a partir do texto bíblico. É alguém com mente aberta, como diríamos hoje, para ele todas as pessoas são alvos do amor e da misericórdia de Deus. É uma pessoa bem humorada que usa o recurso da ironia para convencer os judeus nacionalistas de sua época da inconsistência da postura exclusivista que considerava apenas o judeu como merecedor do amor de Deus
 
1,1 - “a palavra do Senhor foi dirigida a Jonas, filho de Amanti”
 
O livro se inicia como muitos livros proféticos afirmando que ‘a palavra do Senhor foi dirigida a...” (Os 1,1; Jl 1,1; Mq 1,1; Sf 1,1; Ag 1,1; Zc 1,1). Com isso se estabelece um convite ao leitor para se identificar com o protagonista e se tornar um canal para que a palavra de Deus chegue a todos os povos. Lendo o livro atentamente se chega à conclusão de que Deus é o diretor do drama, ele está no controle de tudo, está determinado a fazer sua misericórdia chegar aos ninivitas.
 
1,2a - “levanta-te, vai a Nínive...”

NINIVE - Capital da Assíria - residência dos grandes reis, Senaquerib (722 - invadiu o reino de Israel) construiu um grande palácio e fortificou a cidade com um muro de 12 Km. Foi sitiada pelos Medos e Babilônios em 614 a.E.C. Os vencedores destruíram inteiramente a grande cidade; esse evento é celebrado pelo profeta Naum. Não podemos deixar de perceber a ironia contida aqui: o Jonas histórico (2Rs 14,25) profetiza a prosperidade e a expansão do Reino do Norte e o Jonas personagem do conto edificante tem que profetizar a favor dos habitantes da cidade de Nínive, destruidores de Samaria, capital do reino do Norte.
 
1,2b - “...anuncia contra ela que a sua maldade chegou até mim.”
 
A missão de Jonas é precisa: tem que anunciar aos habitantes da grande cidade de Nínive que sua iniquidade subiu até Deus. Isso consiste numa parusia conforme se procedia em antigos reinos. O termo grego parusia significava a visita do rei a uma região distante da sede do governo para resolver certos problemas administrativos como o abuso de autoridade dos governantes e a prática da iniquidade por parte destes. O aviso de que o rei está sabendo da iniquidade, dava tempo aos culpados para mudar de conduta como também deixava os oprimidos cheios de esperança que o rei lhes fizesse justiça. Nesse sentido, o que Jonas deve anunciar é a parusia do verdadeiro rei do universo sobre um vassalo, o rei de Nínive. De nenhuma forma se trata de um veredicto definitivo do juiz, mas de um viso para que haja oportunidade de mudança de atitude por parte dos que estão praticando o erro. Não é uma condenação, mas uma boa-notícia o que Jonas deve anunciar.
 
1,3a - “Jonas levantou-se para fugir para Tarsis, para longe da face do Sr.”
 
O autor monta sua história em oposição à atitude de exclusividade. Deus chama Jonas para profetizar, não a seu povo, mas ao de Nínive. Jonas reluta em ir a Ninive, não tanto porque deseja evitar a vocação profética, mas porque está sem vontade de levar a palavra do Senhor a um inimigo tão odiado. Ver Ez 3,6-7
 
TARSIS - nome de lugar que significa refinaria, onde o metal é fundido e refinado. Um navio de Tarsis, significou por muito tempo um navio construído para enfrentar tempestades, capaz de fazer as longas viagens, construído para transportar cargas pesadas de metais. Para os judeus, ir para Tarsis, significava ir para um lugar bem longe, fim do mundo, o lugar mais longe possível.
 
1,3b - “Ele desceu a Jope.”
 
JOPE - Cidade próxima à Jerusalém. Possuía o porto mais próximo de Jerusalém, porém não era um porto verdadeiro, não podia ser usado sob mal tempo.
 
1,5 - “os marinheiros tiveram medo... começaram a gritar cada qual para o seu deus.”
 
os marinheiros são de várias nacionalidades; cada qual tem seu deus, mas crêem no poder dos outros deuses também.
 
1, 6 - “...Como podes dormir? Levanta-te, invoca o teu Deus!...”
 
Jonas é, de todos os personagens desse livro, o que mais precisa de conversão. Ele pode ser definido como o desobediente. Aos três imperativos da missão (levanta-te, vai, anuncia) Jonas age em sentido contrário: desce, foge, dorme.
 
1,7 - “... eles lançaram as sortes e a sorte, caiu sobre Jonas.”

Era um costume antigo a idéia de que a presença de culpado em navio é perigo para todos.
 
1,8 - “ conta-nos qual é tua missão...”
 
Eles queriam saber qual a finalidade da viagem de Jonas para entender a causa daquele mal.
 
1,9 - “...sou hebreu e venero ao Sr., o Deus do céu que fez o mar e a terra.”
 
Se Jonas crê nisso, porque pensa que Tarsis é longe o suficiente para fugir do Senhor? A fé no Deus criador traz como consequência o reconhecimento de seu amor por todos os povos. Dessa maneira, Jonas afirmou que a autoridade de seu Deus não está limitada a um território determinado, mas tinha domínio universal. Com isso se vê a ironia da situação de Jonas: crer que Deus domina sobre o mar e a terra e, ao mesmo tempo, está fugindo de sua presença.
 
1,10 - “...os homens foram tomados por grande temor...”
 
Eles são sábios o bastante para ficar com medo, enquanto Jonas, que auto proclamou temente a Deus, parece não ter temor algum. Os marinheiros, pagãos, se escandalizam com a rebelião de Jonas ao Senhor.
 
11,15 - “E tomaram Jonas e o lançaram ao mar e o mar cessou o seu furor.”
 
O Senhor envia o vento para que provoque uma grande tempestade, pára a tempestade assim que a fuga de Jonas é interrompida.
 
1,16 - “Os homens foram então tomados por um grande temos para com o Senhor, ofereceram ao Senhor e fizeram votos”

Mostra a retidão dos marinheiros pagãos que reconhecem o poder de Deus e rendem culto a Ele. No capitulo 1, imagem do Senhor é a imagem do Criador todo-poderoso que dá uma missão ao profeta e o persegue até que a aceite.
  • A ORAÇÃO DE JONAS
2,1a - “O Senhor determinou que surgisse um peixe grande para engolir Jonas...”
 
Jonas representa o próprio judaísmo da época marcada por reformas radicais nacionalistas desde Esdras e Neemias, basta conferir os capítulos nove e dez do livro de Esdras e a ordem para que os judeus se divorciassem das esposas estrangeiras e expulsassem os filhos nascidos desses casamentos mistos. Veja também Ne 13,23–28. O grande peixe representa os grandes dominadores do povo judeu, que “engoliam” as tradições, os costumes, o próprio judaísmo.
 
2,1b - “... Jonas permaneceu nas entranhas do peixe três dias e três noites.”
  
O tempo, 3+3 = 6, representa os grandes impérios que dominaram os Judeus até este período: Egito (2030 a 1200 a.E.C.) , Hicsos (1720 a1552 a.E.C.), Hititas (1370-1336 a.E.C), Assíria (722 a.E.C.), Babilônia (587 a 537 a.E.C.), Pérsia (538 a 333 a.E.C).
 
Deus permitiu que fossem dominados, mas deu a chance de novo recomeço.
 
 2,2 - “Então Jonas orou ao Senhor, seu Deus, das entranhas do peixe.”
 
 A oração consiste em um salmo provavelmente de outra fonte pondo-a na boca de Jonas enquanto ele volta no ventre do peixe. É uma oração de Lamentação.
 
2,3-10
 
O salmista começa por clamar a Deus e passa imediatamente a uma descrição de sua angústia. O fim da oração é uma expressão de confiança e ação de graças a Deus pelo salmista, que com confiança inabalável, acredita na salvação divina.
 
Muitas frases desta oração são comuns aos salmos, por exemplo:
 
2,3a - Sl 86,6-7; 120,1; 34,7; 81,8
 
2,3b - Sl 18,6-7; 116,3-4
 
2,4b - Sl 42,8
 
2,5a - Sl 31,23
 
2,6a - Sl 18,5; 69,2-3; 88,17-18; 116,3
 
2,7b - Sl 16,10; 30,4
 
2,8a - Sl 42,7
 
2,8b - Sl 18-7; 88,3
 
2,10a - Sl 50,14; 116,17
 
2,10,b - Sl 22,26; 50,15; 66,13-14; 116,14.18; 3,9; 37,39.
 
 O salmo presta-se bem à situação de Jonas. Ele está em dificuldades lamentáveis e precisa voltar-se ao Senhor com confiança. As referencias à Morte (v 3.7), entretanto, indicam que o salmo descreve angustias gerais.
  • JONAS EM NINIVE
O Cap 3 começa com o segundo chamado do Senhor a Jonas. Desta vez ele não faz nenhuma objeção.
 
 3,3b - “Nínive era uma cidade muito grande, de três dias de marcha.”
 
A descrição de Nínive como ‘uma cidade muito grande’, sendo preciso três dias para atravessá-la, mostra o exagero que é presente em todo livro. A quantidade de dias tem um equilíbrio significativo. Jonas passa três dias no ventre do peixe e depois é devolvido a sua responsabilidade para com o Senhor. Entretanto, três dias não bastam para provocar um verdadeiro arrependimento em Jonas. Porém a cidade não precisa nem de três dias para seu arrependimento; um dia basta. Contudo, a misericórdia do Senhor não restringe Nínive a três dias. O Senhor dá ’40 dias’, um número bem grande de dias, antes que a cidade seja destruída.
 
3,4a - “Jonas entrou na cidade e percorreu durante um dia. Pregou então dizendo:...”
 
Jonas, mesmo quando parece ser obediente não o é de fato, pois anuncia a mensagem em apenas um dia, quando se levaria três dias para atravessar a cidade e proclama um conteúdo diferente daquele que lhe foi indicado. Com um dia de marcha, não foi possível chegar até o centro da cidade, onde era também o centro administrativo.
 
3,4b - ... Ainda quarenta dias e Nínive será destruída!”
 
É isto que o missionário anuncia apesar de não haver, em nenhuma parte do livro de Jonas, uma palavra vinda de Deus para condenar Nínive. Por que o missionário diria isso se a palavra de Deus foi outra (Jn 1,2)? Ora, segundo a ideologia da retribuição, se Deus sabia da iniquidade de Nínive deduzia-se que ele a destruiria como castigo pelos pecados. Jonas anunciou uma consequência lógica de suas concepções teológicas. Proclama um conteúdo diferente daquele que lhe foi indicado. Por esse motivo o livro de Jonas chama à conversão, não apenas os ouvintes, mas primeiramente o missionário.
 
3,5a - “ Os homens de nínive creram em Deus...”
 
Jonas é, de todos os personagens desse livro, o que mais precisa de conversão. Ele pode ser definido como o desobediente.
 
Apesar de tudo os ninivitas creram em Deus, depositaram toda a sua confiança em Deus, mesmo tendo recebido uma mensagem de condenação. O que não fariam então, se tivessem recebido a boa-nova? Também os marinheiros estrangeiros adoraram o Deus de Israel (Jn 1,14-17), apesar de Jonas ter preferido ser lançado ao mar que falar-lhes sobre a misericórdia do Senhor. O grande problema do livro de Jonas, a maior dificuldade é a conversão do missionário e não a dos injustos e dos idólatras.
 
A reação do rei de Nínive foi muito distinta do procedimento dos reis de Israel que poucas vezes consideraram a exortação dos profetas. Assim como os marinheiros, o rei confiou na misericórdia de Deus, mesmo sem que Jonas a mencionasse em nenhum momento. E Jonas sabia que Deus é misericordioso, isso faz parte da fé de Israel (Ex 34,6).
 
3,5b - “...convocaram um jejum e vestiram-se de panos de saco”.
 
Esses gestos externos eram expressões de uma mudança radical de atitude. Cada um deveria deixar o seu mau caminho, ou seja, o estilo de vida caracterizado pelo pecado e pela violência. Esse costume era empregado em momentos de tristeza (2Sm 3,31; Jr 6,26), de luto (Est 4,1-3), de arrependimento (Ne 9,1; Jó 42,6) e de humilhação (Dn 9,3-5).
 
 3,6 - “A notícia chegou ao rei de Ninive.”
 
 A conversão dos ninivitas começou com o povo e depois chegou ao rei.
 
3,7 - “...como decreto do rei e de seus grandes: ‘Homens e animais, gado graúdo e miúdo’...”
 
O rei expediu um decreto de penitência geral, incluindo também os animais para mostrar que a criação inteira é afetada pelos nossos pecados. Para demonstrar seu arrependimento sincero os ninivitas se uniram, desde os da mais alta classe social até os mais humildes, na busca da misericórdia de Deus.
 
 3,10 - “ eles se converteram de seu caminho perverso...”
 
Consiste em deixar um estilo de vida fundado na iniquidade por uma vida nova com perspectivas totalmente diferentes.
  •  DESGOSTO DO PROFETA E RESPOSTA DIVINA
 4,1 - “mas isso trouxe a Jonas um grande desgosto e ele ficou irado.”
 
Mas a resposta de Deus à conversão dos ninivitas desagradou totalmente a Jonas, deixando-o profundamente irritado. Isto o fez revelar o objetivo da tentativa de fuga; não fora por medo da violência dos ninivitas nem por receio do desconhecido, como poderíamos supor.
 
 4,2 - “...fugi apressadamente para Tarsis; pois sabia que tu és um Deus de piedade e ternura, lento para a ira, e rico em amor e que se arrepende do mal.”
 
 Para surpresa do leitor, Jonas diz que fugiu porque Deus é misericordioso... Jonas não queria ser mensageiro de Deus porque assim evitaria que os ninivitas usufruíssem da misericórdia divina.
 
4,3 - “ é melhor para mim a morte do que a vida.”
 
O autor do livro de Jonas empresta sua voz à teologia universalista para defender o direito de Deus amar a todos, sem fazer acepção de pessoa. Para criticar a tendência nacionalista o autor faz o personagem Jonas preferir morrer a aceitar o amor de Deus para com os estrangeiros, a ver a salvação daqueles que considerava ímpios. Na linguagem de hoje diríamos que o livro de Jonas foi escrito para animar os judeus a assumirem sua responsabilidade missionária para com as outras nações, nesse sentido, esse escrito é um precursor do mandato missionário do evangelho.
 
4,4-10
 
Deus é misericordioso porque sabe quem é Jonas. Em vez de castigá-lo por sua fuga, sua profecia desanimada, sua falta de misericórdia, Deus lida com Jonas como se ele fosse uma criança que não sabe “sequer distinguir a mão direita da esquerda”. Dá uma lição a Jonas. Ele prepara um peixe (2,1), uma mamoneira (4,6), um verme (4,7), um vento oriental (4,8). E Jonas não consegue mudar o roteiro ou projeto divino. Os estrangeiros, tanto os marinheiros quanto os ninivitas, foram mais religiosos, e até o mar, o peixe, a planta, o verme, o vento oriental, todos submetem-se à vontade de Deus.
 
4,11 - “E eu não terei pena de Nínive?...”
 
A misericórdia de Deus está sobre todos os povos e sobre toda criatura. Se a maioria das pessoas não sabe disso é porque falta quem lhes anuncie essa boa-notícia. O Senhor do céu e da terra ama a totalidade da criação. Essa é uma afirmação revolucionária para a maioria dos judeus contemporâneos do autor do livro de Jonas, pois se o Deus de Israel cuida de todos os seres, povos e nações, qual o lugar de Israel como povo da aliança? Hoje diríamos: qual o privilégio de ser cristão, se Deus ama os ateus, os membros de outras religiões e até mesmo aqueles que maculam sua imagem com o ódio? Isso significa que o povo de Deus deve investir na salvação dos injustos e não na destruição deles. Os opressores, os violentos, os ímpios conhecerão a misericórdia e a redenção que vem de Deus através dos missionários de boas notícias.
 
Deus começa e termina o livro, a sua palavra é soberana e não volta a ele sem que se torne efetiva e produza o fruto almejado (Is 55,11).
 
O final do livro mostra o contraste entre Jonas e Deus: um deseja a morte, o outro, a vida; um quer a destruição, o outro, a salvação. O livro inteiro é uma exortação à conversão e à misericórdia, ambas são indesejáveis a Jonas e ele necessita das duas. O livro desafia o cristão atual, herdeiro da vocação de Israel, a deixar-se corrigir pela Palavra inspirada, santa e perfeita, útil para exortar e para “discernir os propósitos do coração” (Hb 4,12).
 
O livro termina bruscamente como é próprio desse gênero literário. Com isso permite ao leitor de cada geração fazer uma autocrítica e responder à pergunta do Senhor, confrontando-se com as atitudes de Jonas, dos marinheiros e dos ninivitas. Quem nunca desejou o desaparecimento definitivo do opressor ou do malvado? Quem se sente confortável em saber que “a misericórdia triunfa sobre o julgamento” (Tg 2,13)? O amor e a misericórdia de Deus se estendem a cada pessoa e deseja a conversão de todos.
 
Fica para nós leitores a pergunta que o autor nos faz para pensarmos: Deus é livre? Ou deve agir, como Jonas pensa, segundo as estreitas limitações da justiça humana?
 
Eliani Araújo Costa / setembro 2010
 
 Para contatos e dúvidas:
elianidentista@yahoo.com.br / elianicatequista@yahoo.com.br
 
  BIOGRAFIA CONSULTADA
 
 Bíblia de Jerusalém. São Paulo, Paulus, 2004.
 Dicionário bíblico / John L. Mackenzie ; (tradução Álvaro Cunha ... et al.; revisão geral Honório Dalbosco). – São Paulo : Paulus, 1983.
 Comentário Bíblico. São Paulo, Edições Loiola, 1999
 Artigo da CNBB - Mês da Bíblia 2010 - Jonas: Conversão e Missão - “Levanta-te e vai à grande cidade” (Jn 1,2) - Aila Luzia Pinheiro de Andrade
 

O "Ficar" é de Deus? Não!!!

Muito se tem discutido inda sobre uma frase dita pelo Bispo auxiliar do Rio de Janeiro, Dom Dimas Lara Barbosa, dita em 2007, o qual condenou o hábito de "ficar", comum entre jovens e adolescentes. O bispo assinalou na ocasião: “O senso do descartável do 'ficar', que era próprio das garotas de programa, é hoje vivenciado pelas adolescentes. Os meninos apostam entre eles para saber quem fica com mais garotas numa noite. No dia seguinte, eles não sabem nem o nome delas, o que significa que essa pessoa, com quem 'ficou', não vale absolutamente nada. O problema é grave e atinge adolescentes e pré-adolescentes”. (O Globo Online 08/05/2007)

Alguns veículos de informação assinalaram que ficar então é algo do “Capeta”. Bem, queria ir pelo outro viés: “Ficar é de Deus?”

Bem, eu sou jovem, sou professor de História, tenho 29 anos, sou católico, sou catequista e líder pastoral, atuo com crianças, adolescentes e jovens no meu bairro desde 1998.

E nunca tive medo de assumir minha fé, os valores morais e a doutrina religiosa católica. Fiquei muito triste de ver parte da juventude católica criticando essa atitude de Dom Dimas. Jovens católicos aceitando relacionamentos superficiais, sendo verdadeiros “copos descartáveis”.

Os católicos precisam levar o Cristo incondicionalmente, não nos conformando com o mundo, mas o que vemos são pessoas buscando apenas uma “fé de supermercado”, ou seja, você apenas assimila das “prateleiras” aquilo que gosta e descarta o restante da doutrina. O que está acontecendo?

O bispo nos lembra que não podemos brincar de ser Igreja! Não podemos buscar um Cristo “Light”, segundo um “quinto Evangelho” o qual aceita meus erros e pecados. Nós não podemos aceitar que os católicos tenham valores mundanos, modismos que vão de encontro com a Doutrina Cristã e acabam, assim, escrevendo “seu próprio Catecismo”.

E o que vem a ser a prostituição? É a comercialização da prática sexual ou, é o oferecimento de satisfação sexual em troca de vantagens monetárias, prazeres ou favores. A Bíblia é clara sobre esse assunto. Em várias passagens vemos a condenação dessa prática: “Fugi da prostituição. Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo.” (1 Cor 6, 18) Não se discute esse assunto, pois é um pecado muito grave, pois o nosso corpo é Templo do Espírito Santo (1Cor 3, 16-17).

Um jovem paulista, em uma comunidade do site de relacionamentos Orkut assinalou: “Eu prefiro Ficar... Ficar esperando no Senhor. Quem fica está se prostituindo, pois esta trocando de parceiros. Lembrando que adultério não é só quando se tem um ato sexual...”

E vemos a comparação do bispo do ato do “ficar” com “as garotas de programa”. Bem, quem está “ficando”, acaba também oferecimento o seu próprio corpo em troca do seu prazer pessoal e também em busca de “status” perante os amigos e colegas. “Ficam” com um enorme número de pessoas, beijam, trocam carícias, algumas vezes termina com o ato sexual e, no dia seguinte, partem para outros relacionamentos. Foi por isso que o bispo usou o termo “descartável”. As garotas e garotos de programa ficam por dinheiro, contudo, os adolescentes e jovens seguem um caminho próximo, usando seus corpos para relacionamentos sem nenhum tipo de preocupação com o outro, quantas vezes for necessário para se satisfazerem. Isso também é pecado.

Algumas pessoas dizem que o “ficar” é o antigo ato de paquerar, contudo, quando você paquera alguém você não visa simplesmente utilizar o corpo do outro para o benefício próprio, mas a busca de um relacionamento duradouro e sincero.

O “ficar” prega atitudes anticristãs, tais como: a desonestidade, desconfiança, descompromisso, a superficialidade, desrespeito contra vida, não valoriza o verdadeiro amor, prega a infidelidade, a impureza, indecisão, crueldade, ato de pura atração física... O relacionamento entre duas pessoas cristãs dever ser sincero, fiel, puro, honesto, fraterno, compromissado e, principalmente, santo. O bispo apenas seguiu a Bíblia, a doutrina católica, assinalando que devemos ser cristãos autênticos, e se mostrou preocupado com a realidade dos jovens de hoje. Nós precisamos ser exemplo perante nossas famílias, nossos ministérios, nossos colegas da escola / faculdade, na nossa Igreja... Sempre em todo o lugar e a toda a hora!!! O que adianta ser uma pessoa na igreja, nos encontros e eventos e outra totalmente diferente com a minha namorada, meu esposo, meus filhos, com meus amigos... Mascarado não dá mais pra viver! A pergunta precisa ser feita. Então: O “ficar” é de Deus? Claro que não.

A castidade precisa ser vista pelos cristãos não como uma opção, mas como meta de vida. Tanto no namoro, como no noivado e até dentro do casamento, um sendo fiel ao outro. O sexo só poder ser feito após o matrimônio, pois no namoro e noivado um ainda não pertence ao outro. Precisamos abolir a camisinha, pois não podemos banalizar o ato sexual que vem sendo visto nas últimas décadas. Precisamos nos manifestar contra o aborto, pois são seres humanos assim como nós. A juventude precisa rever seus valores, as canções que estão escutando (com letras pornográficas e violentas). Isso não vem de uma “Igreja totalmente ultrapassada” (como foi dito por uma leitora na última edição), mas de uma igreja fiel à Bíblia e atualizada. Quem disse que seguir Jesus é fácil?? É necessário renunciar muitas coisas!!

Não vamos à Igreja porque alguém nos obriga... Não rezamos porque temos medo de Deus... Ninguém nos proíbe ou nos condena. A nossa igreja apenas nos orienta, nos mostra o caminho, porque nossa fé é expressão de nossa liberdade! "Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou." (1Jo 2, 6)

Paz e bem! E sede Santos!!!



quarta-feira, 24 de março de 2010

CONGRESSO CATÓLICO IN TENDA 2010



CONGRESSO CATÓLICO NA ILHA DO GOVERNADOR-RJ

ENTRE NA COMUNIDADE DO IN TENDA NO ORKUT

PARTICIPE!!!